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Saúde: Por que a homeopatia encara tantas críticas ?

05/01/2015
em Ciência
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homeopatia

A celebração pelo Ministério da Saúde, com mensagem disseminada pelas redes sociais, do Dia da Homeopatia (21 de novembro) atraiu uma série de críticas por parte de cientistas – principalmente de químicos e biólogos. Não é de hoje que a homeopatia é criticada, quando não ridicularizada, por pesquisadores, inclusiva da própria área médica. Imagino, no entanto, que a causa dessa hostilidade seja, até certo ponto, um mistério para muita gente. Por quê, afinal? Não se trata de uma especialidade médica reconhecida, ensinada na faculdade? Qual o problema?

O que realmente está em debate, nessas horas, é a seguinte questão: o que permite afirmar que um tratamento médico é “válido”? Não basta dizer que, se você tomou um remédio e melhorou, o remédio é bom. Esse é um raciocínio enganador, que levou a medicina a preservar, durante séculos, tratamentos claramente prejudiciais – como sangrias – com base numa eficácia ilusória, onde os “sucessos” eram contados e os fracassos, ignorados.

A dificuldade vem do fato de que, no mesmo período em que esteve tomando o remédio, o paciente fez várias outras coisas: comeu, bebeu, descansou, recebeu apoio dos os amigos… Qualquer uma dessas outras coisas – a dieta, a capacidade de recuperação natural do corpo, o bom humor dos amigos – pode, em teoria, ter sido tão ou mais importante que o remédio. Talvez o paciente tivesse sarado mais depressa, se o tratamento não atrapalhasse!

Hoje em dia, os critérios mais rígidos para a validação de um tratamento são três: mecanismo de ação plausível, prova de segurança e prova de eficácia. Mecanismo de ação plausível é, simplesmente, uma conexão lógica e prática entre o tratamento e a condição tratada: se eu disser que comer terra de cemitério cura úlcera, você tem todo o direito de duvidar. Afinal, o que uma coisa tem a ver com a outra?

Prova de segurança envolve determinar que o tratamento não fará mais mal do que bem. Ela nunca é definitiva – há casos de medicamentos cujos efeitos negativos só são detectados anos depois da liberação. Mesmo assim, muito esforço costuma ser despendido para garantir que os tratamentos só cheguem à população depois de um controle estrito dos riscos.

A prova de eficácia é a mais complexa e difícil de todas. A forma padrão é chamada teste duplo-cego aleatório e controlado com placebo, no qual pacientes são divididos ao acaso em dois grupos, um dos quais receberá o remédio sendo testado e outro, um material idêntico – uma pílula amarela, digamos – mas inerte, sem princípio ativo.

Esses estudos podem variar muito em termos de qualidade, por conta de questões como o número de pacientes envolvidos, o mecanismo usado para garantir que os grupos sejam formados de modo realmente aleatório e, até, a natureza das técnicas estatísticas usadas para analisar os resultados.

Então, temos três critérios: plausibilidade, segurança, eficácia. O problema com a homeopatia é que ela fracassa em pelo menos dois, o de plausibilidade e o de eficácia. A questão da plausibilidade é a primeira que salta aos olhos: remédios homeopáticos são diluídos a um ponto em que, normalmente, não resta uma só molécula de princípio ativo no produto final.

Esperar que um medicamento assim funcione é como esperar que os moradores de um prédio fiquem bêbados porque alguém jogou dois dedos de cachaça na caixa d’água do condomínio.

A questão da eficácia costuma ser encarada como a mais crucial: uma coisa pode funcionar, ora bolas, mesmo que não entendamos como ou porquê. No entanto, análises e mais análises dos resultados de estudos sobre a eficácia da homeopatia chegam sempre ao mesmo resultado: quanto melhor a qualidade do estudo, menor o efeito clínico detectado. Nos melhores testes, a suposta eficácia da homeopatia dilui-se (sem trocadilho) num efeito que não é perceptivelmente superior ao do placebo.

Somando-se esse acúmulo de resultados negativos à implausibilidade fundamental de um tratamento baseado em diluições extremas, não é de surpreender que cientistas fiquem exasperados ao ver o Ministério da Saúde promovendo homeopatia.

Via Revista Galileu

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