
O diretor da Divisão Regional de Saúde, Ronaldo Capelli, que representa a Secretaria Estadual, afirmou nesta quinta-feira (22) que os pacientes atendidos nos postos da rede municipal não são os responsáveis pela crise no atendimento em Ribeirão Preto. Capelli disse ainda que vai pedir uma lista à prefeitura com a relação dos nomes de todos os pacientes da região atendidos na cidade.
A declaração foi dada após a prefeita de Ribeirão Preto, Dárcy Vera, afirmar que o caos na saúde pública está relacionado à sobrecarga nos postos que atendem pacientes de 500 cidades da região.
De acordo com a prefeita, os municípios vizinhos encaminham pacientes para tratamento em hospitais de Ribeirão e as pessoas que buscam atendimento no Hospital das Clínicas, primeiro precisam passar pelos postos de saúde para conseguir o encaminhamento, o que aumenta o movimento nas unidades.
Para Dárcy, o ribeirãopretano que deveria ser priorizado nos atendimentos está financiando o tratamento de pessoas que nem moram na cidade. “Do orçamento da saúde, 73% sai do bolso do munícipe de Ribeirão Preto, que está financiando também a saúde da região e isso não é correto”, afirmou.
A dengue também contribuiu para agravar ainda mais o atendimento deficitário nos postos. Algumas unidades registraram aumento de até 40% na demanda por causa da doença. Ribeirão Preto já tem 12.223 casos confirmados em 2010, na pior epidemia da sua história.
A campanha de vacinação da gripe A é outro fator que ajuda a encher as unidades de saúde.
Flagrante
Na quarta-feira (21), a EPTV flagrou o momento em que uma mulher de 68 anos desmaiou após esperar uma hora por atendimento no pronto-socorro do bairro Sumarezinho. Na unidade de saúde, que fica na rua Cuiabá, há uma média de 81 pacientes para cada médico. A unidade de saúde conta com três profissionais e, desde 2009, há uma solicitação para a contratação de mais dois médicos.
Segundo Dárcy Vera, a prefeitura tem um convênio com a faculdade de Medicina da USP de R$ 5,6 milhões por ano, destinados ao atendimento no posto. A direção do pronto-socorro informou que atende, em média, 330 pacientes adultos por dia e não há médicos suficientes.
A prefeita disse ainda que a contratação de mais médicos deve ser feita pelos administradores do posto e admitiu que recebeu, na terça-feira (20), um pedido de renegociação do convênio para a contratação de mais profissionais, conforme havia alegado o diretor da faculdade, Benedito Carlos Maciel.
A situação flagrada no pronto-socorro da rua Cuiabá se repete nas outras unidades de saúde. Dependendo do local, a média do tempo de espera varia entre duas e três horas. No posto do bairro Vila Virgínia, a principal reclamação é em relação a pediatria, já que mães e filhos lotam os corredores da unidade.
No feriado da quarta-feira, a unidade distrital mais movimentada foi a do bairro Quintino Facci, segundo a prefeita. Quatro clínicos gerais e quatro pediatras fizeram 876 atendimentos. Média de 120 atendimentos para cada um.
Mais trabalho
Por causa da quantidade insuficiente de profissionais, em março, os médicos da rede municipal de saúde fizeram 24.932 horas-extras. Mas nem todos os 150 profissionais fazem plantão e o atraso nas consultas dos pacientes é cada vez maior.
O aumento na jornada de trabalho nos atendimentos de urgência e emergência por causa da crise na saúde em Ribeirão tem custado R$ 1 milhão por mês aos cofres públicos.
Se o total dessas horas fosse dividido pelo número exato de médicos que atendem pela rede pública, cada profissional teria trabalhado, em média, seis horas a mais por dia. Segundo a secretária da Saúde, Carla Palhares, a dificuldade de se encontrar médicos plantonistas causa uma sobrecarga de trabalho para aqueles que ampliam as jornadas.
De acordo com o presidente do Sindicato dos Médicos, Marco Aurélio de Almeida, o alto volume de horas-extras registrado prova que existe uma falta de profissionais na saúde pública de Ribeirão.
Ações
A prefeita esteve reunida com representantes dos médicos, com vereadores e com a secretária de Saúde, Carla Palhares, na manhã desta quinta-feira para discutir a crise da saúde.
Darcy anunciou que vai a São Paulo e a Brasília tentar uma articulação política e jurídica junto à Secretaria Estadual de Saúde e ao Ministério da Saúde para buscar alternativas para resolver o problema do número crescente de pacientes de cidades da região atendidos em Ribeirão e sobre o repasse da verba de outros municípios.
Fonte: EPTV.com



