Por Nina Prado*

Recentemente fui a Bauru para realizar uma prova e tive algumas impressões que me marcaram. Eu não sei se essas impressões correspondem à realidade, mas são as coisas que ficarão marcadas na minha memória até eu voltar lá novamente e confirmá-las (ou não).
Eu não conhecia a cidade e tinha que localizar o prédio que ia realizar a prova, então levei o GPS para ajudar. Só que foi em vão, porque acabei me perdendo, pois o meu aparelhinho não reconhece muito bem as ruas desta cidade. E pra piorar, eu não entendi a lógica da numeração das casas e prédios, por que os números são compostos, como 2-55. Talvez seja por isso que o GPS tenha ficado perdido. Já pensando em situações como essa, previ a chegada à cidade com três horas de antecedência do horário da prova.
Procuro ver as situações desfavoráveis sempre pelo lado bom, que neste caso foi fazer um pequeno tour pela cidade. Logo de início a achei parecida com Ribeirão: uma cidade colorida e quente do interior. Quem já foi a São Paulo sabe o que quero dizer com “colorida”, principalmente pelo azul do céu.
Como o GPS e os mapas impressos da Internet estavam pouco ajudando, a solução foi abordar os cidadãos transeuntes e pedir informação. Foi necessário perguntar a três pessoas: o primeiro que estava chegando a sua casa, passou as coordenadas certinhas para encontrar a escola em que a prova ia ser realizada. Encontrado o local de prova, eu e meu motorista especial decidimos ir ao shopping para almoçar. Foi mais difícil encontrar o shopping do que a escola, principalmente porque numa das avenidas principais, havia uma placa que indicava o retorno como caminho para o shopping. E, ao fazer esse retorno, nos perdemos novamente.
Foi ai que abordamos o segundo cidadão, que fazia caminhada na avenida, o qual nem me deixou falar e dizia ao mesmo tempo em que chacoalhava os indicadores: “eu não sei, não sei”. Não sabe o quê? Eu nem falei nada! Mas eu entendo o mau humor do homem de meia idade, afinal não é muito agradável fazer caminhada num sol de rachar coco ao meio-dia.
O terceiro e último cidadão foi um motoqueiro parado no sinal, porque depois da grosseria do homem, meu motorista especial não quis mais abordar ninguém. O motoqueiro muito simpático nos disse para pegar a avenida principal e ir até o FIM. Era simples assim. Alguém precisa retirar aquela placa do retorno.
Por falar em farol, os de lá são horizontais e muito demorados. Nessas andanças em terras desconhecidas, pude notar que em alguns pontos da cidade há uma espécie de pias com torneiras, em que as pessoas levam galões e garrafas para encher de água. Inferi que deve ser de água potável ou um atalho para a fonte da juventude. Não sei se era a fonte da juventude, mas aquele shopping funcionou para mim como uma máquina do tempo: lembrava muito o antigo shopping de Ribeirão, do tempo que eu era uma criança. Sim! Tinha viajado no tempo em 20 anos. Pra completar essa sensação, enquanto comia, tocavam apenas músicas infantis, as mesmas que ouvia!
Ah, esqueci de dizer que fizemos este esforço todo para encontrar o shopping não só para almoçar, mas também para usá-lo como um local de espera para o meu motorista especial. Mas não deu certo, porque a intenção dele era ficar usando seu notebook, de preferência com o wireless do shopping. No entanto, esse plano foi descartado, pois não havia indícios da existência de wireless e o meu motorista especial achou que se ficasse lá com seu notebook seria motivo de risos dos frequentadores do shopping.
Na hora de ir embora, logo ao pegar a rodovia, encontramos um posto de uma famosa rede de serviços. Eu até estranhei encontrar este posto, pois está localizado em um trecho da rodovia bastante urbanizado. O que mais me chamou atenção foi o nome deste posto: sem limites. Nesta rede de postos, cada unidade recebe um nome, e por isso fiquei me perguntando: por que “sem limites”? Após, ainda com a dúvida na cabeça, fiz uma pesquisa na web e vi que “sem limites” é um apelido ou um slogan da cidade que alguém importante colocou. Mas ainda não consegui descobrir quem deu este apelido à cidade. Talvez eu descubra em uma próxima visita.
24 de março de 2010
*Nina Prado, escreve sobre suas viagens, e sobre como se perdeu mesmo com o GPS no carro.



