Dizem que azar, urucubaca, má sorte estão presentes em situações em que o resultado não depende somente do raciocínio lógico do agente de uma determinada ação – e o resultado final acontecesse de uma maneira não esperada pelo agente. Uma pessoa é considerada azarada quando frequentemente se envolve em situações com começo, meio e fim de azar. Mas as pessoas “de sorte” podem também ter azar ocasionalmente.
Acho que esta última é o caso da maioria das pessoas. Eu tenho um amigo que é muito azarado e, quando nos encontramos, as narrativas de seus percalços são o que mais diverte a turma. Se o azar fosse uma doença contagiosa, eu diria que peguei essa doença há alguns dias. Ultimamente várias coisas não estão dando certo, e pior, terminando de uma maneira que eu pouco gostaria, e sempre com um tom tragicômico.
Tudo começou numa sexta-feira – que não era treze, mas foi o suficiente para iniciar a urucubaca, na hora do meu almoço. Costumo almoçar todos os dias, no mesmo lugar, com a mesma companhia, na mesma hora e no mesmo canal (restaurante). Neste belo dia ensolarado, minha companhia diz que precisa almoçar bem rápido e voltar para seu posto de trabalho. Mas ao chegar ao restaurante, não conseguimos nem entrar, de tanta gente que apareceu para almoçar. Pensei, vamos almoçar na nossa segunda opção, que adivinhem, também estava com pessoas até na calçada. OK. Vamos comer um fast-food, demora mais para chegar, mas é mais rápido para comer. Nem isso deu certo. Além de pegarmos uma fila que não saía do lugar, o cartão de débito não queria passar nem com reza brava. Nessas idas e vindas já estava na hora voltar ao trabalho e ainda nem tínhamos almoçado.
Por fim, fomos a um restaurante próximo ao shopping, que cobra os olhos da cara, mas conseguimos almoçar, após uma hora. Após algum tempo, acalmei-me, retornei ao trabalho e pensei: “já passou”. Tolice a minha! Faltando meia hora para o fim do expediente, o tempo começou a fechar, e de repente, caiu um temporal como não caía há meses. Nos primeiros segundos já caiu energia e ficamos no escuro. O jeito foi ir para fora e assistir o mundo desabar em água. E o pior, eu tinha que esperar o temporal passar para poder ir embora, porque tinha vindo de moto. Depois fiquei sabendo que até uma grande avenida da cidade, que não alagava há meses, ficou alagada.
No dia seguinte fui fazer compras porque tinha acabado todas as coisas de casa. Mas, antes, ia almoçar no shopping. Ia comer aquele fast-food que ficou frustrado, mas também não deu certo, porque, assim que pus os pés no shopping a energia acabou. Em seguida, as lojas começaram a expulsar seus clientes e a trancar as portas. Sim! Fiquei novamente no escuro e sem comida, mas dessa vez simultaneamente.
E o pior: dessa vez nem estava chovendo. Pelo menos o supermercado tinha gerador. Depois, a minha irmã me disse que frequentemente teem ocorrido quedas de energia naquele shopping, e que isso já aconteceu duas vezes com ela. Após essas situações de azar, confesso que fiquei traumatizada e sempre que ocorre uma situação não muito favorável, me lembro do bordão de Star Wars: “I’ve got a bad feeling about this.” Mas, olhe pelo lado bom: essas situações de azar servem para nos fazer rir, e diverte também as pessoas que ouvem nossas histórias. O humor ajuda a encontrarmos uma saída, um caminho para seguir em frente com a vida, sem maiores prejuízos.
Ria de si mesmo!
* Nina Prado, escreve sobre a vida mesmo em dia de azar!!




