OSLO – O presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, afirmou nesta quinta-feira que outros candidatos poderiam ser “mais qualificados” do que ele para o Prêmio Nobel da Paz, que ele recebeu hoje em cerimônia no auditório municipal de Oslo.
“A notícia do prêmio foi uma surpresa para mim. Não tenho dúvidas de que há outras pessoas que o merecem mais”, afirmou Obama em uma entrevista coletiva na capital norueguesa, onde participa da cerimônia de entrega aos vencedores do Nobel deste ano.
Mais cedo, Obama visitou a sede do Comitê Nobel e felicitou a instituição por “dar voz aos que não têm e aos oprimidos do mundo”. No local ele assinou o livro de convidados do Instituto Nobel, em Oslo.
O presidente assinou um parágrafo de sete linhas, enquanto a esposa – com um vestido cinza enfeitado com um broche de prata – brincava: “o que está escrevendo, um livro? Minha dedicatória não será tão longa”.
Obama especificou que tinha “felicitado o Comitê por seu trabalho não só a favor da paz, mas também para dar voz aos que não a têm e aos oprimidos do mundo”.
Em declarações à imprensa que o acompanha, citou o exemplo do defensor dos direitos civis para os negros Martin Luther King, para evidenciar que a concessão do prêmio “elevou seu prestígio nos EUA de modo que o permitiu ser mais efetivo”.
Nobel contestado
Obama é o terceiro presidente em exercício dos EUA a receber o Nobel da Paz, depois de Theodore Roosevelt e Woodrow Wilson. Jimmy Carter ganhou o seu duas décadas depois de deixar o cargo.
Há nove dias, Obama determinou o envio de 30 mil soldados a mais para a guerra contra o Taleban no Afeganistão. A proximidade com a entrega do Nobel é “uma interessante coincidência da história”, da qual o presidente tem ciência, segundo uma fonte do governo.
Algumas pesquisas mostram que muitos norte-americanos estão orgulhosos do prêmio a Obama, mas que a maioria não o considera merecido. A popularidade do presidente, no cargo há menos de um ano, já caiu para 50% ou menos, e há grande inquietação nos EUA a respeito da economia.
A concessão do prêmio a Obama, anunciada em outubro, surpreendeu muita gente, inclusive na Casa Branca. O comitê Nobel disse que Obama o merecia por “seus extraordinários esforços para fortalecer a diplomacia internacional e a cooperação entre os povos”, além das suas ideias em prol do desarmamento nuclear.
Críticos consideraram a decisão prematura, dado o fato de que neste quase um ano de mandato Obama tem poucos avanços concretos a oferecer no campo da política externa, onde se defronta com os desafios da guerra do Afeganistão e dos programas nucleares de Irã e Coreia do Norte.
Fonte: IG



