O termo vaginismo, modificado mais recentemente para transtorno da dor genitopélvica/penetração (TDGPP), compreende um conjunto de mudanças físicas e comportamentais que impede ou dificulta qualquer forma de penetração vaginal, seja durante a relação sexual, durante um exame físico realizado por ginecologista ou até mesmo nas autotentativas com brinquedos eróticos.
Trata-se de um distúrbio relativamente comum, atingindo 0,5 a 1% da população feminina em geral. O quadro é representado por contração involuntária e persistente da musculatura do assoalho pélvico, acompanhado de medo e ansiedade em 80% das vezes. Frequentemente há associação com outras disfunções sexuais como transtornos de desejo sexual e de excitação sexual, principalmente após muitos episódios de tentativas mal sucedidas de penetraçāo.
A causa desse transtorno é multifatorial. Podem ser considerados fatores desencadeantes o histórico de abuso sexual (presente em 20% dos casos), traumas genitais, infecções, tumores pélvicos, cirurgias, radioterapia pélvica, educação sexual repressora, aspectos culturais e religiosos muito rígidos e outros aspectos psicossexuais.
Os sentimentos de vergonha e frustração sāo muito comuns e agravam o quadro psicológico. Além disso, muitos relacionamentos conjugais e interpessoais podem ser comprometidos pelo TDGPP e, nāo menos importante, alguns casos de infertilidade conjugal também podem ser atribuídos a ele.
A abordagem multiprofissional e interdisciplinar é a recomendação mais atual para tratar esse distúrbio. Ginecologistas, psicólogos, psiquiatras (quando indicado) e fisioterapeutas especializados em assoalho pélvico devem trabalhar de modo integrado, com protocolos bem definidos, que atingem níveis de sucesso terapêutico (possibilidade de conseguir penetração vaginal) acima de 80% quando os casos sāo bem conduzidos.
Nesse cenário entendemos que o TDGPP é uma das disfunções sexuais com maiores chances de sucesso e cura, por isso estimulamos todas as mulheres que procurem assistência especializada quando apresentarem quadro compatível com esse transtorno.
Dr. Rafael B. Basagli
Ginecologista e obstetra
CRMSP: 119383
Agendamento:(16) 3728-6683
