Ainda pontuando sobre crianças com atraso no desenvolvimento, como TEA (transtorno do espectro autista) ou DI (deficiência intelectual), muitos questionamentos vão surgindo, principalmente sobre a idade de iniciar efetivamente a alfabetização.
Segundo os princípios da ciência ABA – Análise do Comportamento Aplicada, a alfabetização é o processo de aprendizagem do comportamento de ler e de escrever com compreensão. Então, tanto ler como escrever é um comportamento. A palavra compreensão pode gerar muitos equívocos, ela acontece quando você constrói uma classe de equivalência, ou seja, uma triangulação: um símbolo escrito, um som e um fenômeno no mundo e não apenas decodificar.
Sendo assim, pessoas com desenvolvimento atípico (com dificuldades, deficiências ou transtornos) devem iniciar o processo de alfabetização por volta dos 4/5 (quatro/cinco anos de idade), por dois motivos:
1º – Porque tem mais dificuldades de modo geral para aprender e, começar antes é primordial.
2º – Porque esse tempo faz toda diferença em um contexto de vida mais amplo.
Se pararmos para refletir, a coisa mais difícil que nossa espécie aprende é a alfabetização, crianças com desenvolvimento típico (sem dificuldades, deficiências ou transtornos) passam 20 horas semanais na escola do 1º ao 3º para terminar todo o processo de alfabetização. Então, iniciar antes com crianças atípicas é fundamental.
Alguns pré requisitos são necessários para o ensino da leitura, tais como: fazer rastreio visual (acompanhar com os olhos), sentar, esperar, fazer contato visual, fazer escolhas, executar e finalizar atividades simples, dentre outros. O principal preditor para alfabetização é a fala, crianças sem fala, mas com boa compreensão também podem aprender. Necessitam de discriminação auditiva e compreenderem bem, lembrando que, discriminação também pode ser ensinada, porém é necessário ver a taxa de aprendizagem do indivíduo, pois o prognóstico é probabilístico.
Ressalto aqui novamente, a importância da elaboração de um programa de alfabetização e o comprometimento de um verdadeiro trabalho multidisciplinar com profissionais competentes para que a aprendizagem aconteça.




