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A direção do Hospital e Maternidade Santa Isabel, em Jaboticabal (SP), registrou boletim de ocorrência contra o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) alegando que teve que transferir por conta própria um paciente de oito meses para uma avaliação na Santa Casa de Sertãozinho (SP) depois de fazer três solicitações por ambulância e de uma espera de aproximadamente sete horas.

A criança, diagnosticada com hidrocefalia, precisou ser transferida para uma avaliação especializada depois de permanecer uma semana internada em Jaboticabal após apresentar sintomas como febre e vômito. Depois da avaliação, ela foi levada de volta para o município pelo próprio Samu e passa bem.
O caso foi encaminhado para a Secretaria Municipal de Saúde, para o Estado e para o Conselho Regional de Medicina.
O coordenador regional do Samu, Marcelo Dinardi, alega que o caso precisa ser apurado, mas que há informações divergentes. Segundo ele, caberia ao próprio hospital e não ao serviço de atendimento móvel a transferência do paciente internado.
Três ligações
O pediatra Roberto César Miani, médico de plantão que atendeu a criança de oito meses, diz que logo depois de nascer, o menino foi diagnosticado com hidrocefalia – doença que consiste no acúmulo anormal de líquido no crânio – e foi submetida a cirurgia para colocação de uma válvula.
No último dia 3, ele conta que o menino foi levado ao Hospital Santa Isabel apresentando febre, vômito e diarreia. Depois de uma semana de internação, a criança melhorou, mas um neurologista do hospital solicitou um exame mais específico para avaliar a necessidade de uma nova cirurgia, de acordo com ele.
Miani relata que solicitou, no dia 10, a transferência para a Santa Casa de Sertãozinho, onde a criança já havia passado pela cirurgia e o local mais adequado para o diagnóstico.
“Ele [neurologista] achou necessário encaminhar essa criança para o neurocirurgião avaliar, porque haveria a possibilidade de precisar trocar essa válvula. Entrei em contato no mesmo dia com o setor de neurocirurgia lá da Santa Casa [de Sertãozinho]”, afirma.

Hospital alega que Samu foi contatado três vezes, mas não enviou ambulância (Foto: Cláudio Oliveira/EPTV)
Ele confirma que, pouco depois da confirmação da vaga no hospital, às 14h, entrou em contato pela primeira vez com um médico do Samu para solicitar a ambulância e dar detalhes sobre a transferência. Às 17h, ele afirma que voltou a ligar para o serviço e, dessa vez, foi atendido por outro médico, que disse a ele não ter informações sobre o paciente.
“Às cinco da tarde, como já tinha três horas que essa ambulância não tinha chegado, liguei novamente. Estava outro médico de plantão. Conversei com esse médico e, para minha surpresa, ele não sabia de nada. Precisei explicar todo o caso novamente, tudo que estava acontecendo. Esse médico disse: tudo bem, posso até demorar um pouquinho porque nós temos um caso na rua, um acidente, vamos dar atendimento ao acidente e depois eu vou buscar essa criança. Eu falei: sem problema, a criança no momento está bem, dá pra esperar um pouquinho.”
No entanto, a ambulância não chegou até as 22h, e Miani afirma que novamente ligou, mas foi surpreendido por um terceiro médico, que também não sabia de sua solicitação.
Diante da situação, ele diz ter desligado o telefone e relatado o caso à direção do hospital, que transferiu o menino para Sertãozinho por conta própria.
“Realmente desliguei o telefone, chamei a nossa ambulância do hospital e encaminhamos essa criança até a Santa Casa. Lá ela foi vista pelo neurocirurgião no outro dia, fez tomografia, tudo que foi necessário e depois a mandaram de volta, dizendo que não precisaria trocar a válvula.”
Embora o hospital alegue que, durante toda a espera, a criança permaneceu fora de risco, a mãe da criança, a dona de casa Natiele da Silva Braz, diz que foram momentos de pânico. “Foi uma agonia, porque a cada hora ele piorava mais e não vinham para buscar.”
O diretor clínico do Santa Isabel, Nereu Rodolfo Krieger da Costa, que também é delegado do Conselho Regional de Medicina, registrou um boletim de ocorrência por preservação de direitos e solicitou que a falta de ambulância seja investigada pela Secretaria Municipal de Saúde, pelo Departamento Regional de Saúde e pelo Cremesp.
“O Samu tem vários protocolos. Nesse caso específico, era uma criança, era uma transferência inter hospitalar e também era um caso de convulsão. Todos os critérios, se formos analisar, preenchiam a necessidade de o Samu transferir o paciente.”
Pontos divergentes, diz Samu
O coordenador do Samu regional, Marcelo Dinardi, afirma que o caso precisa ser avaliado, mas contesta a versão contada pelo médico, citando “pontos divergentes”.
O primeiro, segundo ele, foi com relação à primeira chamada, que teria sido feita às 17h15 e resultou na definição de que não seria necessário utilizar uma unidade de suporte avançado. “Nós temos tudo documentado, porque é gravado e registrado em nossa central, pedindo a transferência de uma criança que se encontrava há 20 dias internada no hospital e que tinha feito um procedimento na Santa Casa de Sertãozinho”, diz.
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Além disso, ele afirma que havia a disponibilidade de uma unidade de suporte básico, mas esta não poderia ser utilizada pelo hospital em Jaboticabal por uma questão contratual.
“A Secretaria Municipal de Jaboticabal tem contrato com o Hospital Santa Isabel, em que os pacientes internados sejam transferidos por ambulância ou recursos próprios. Então o Samu não procedeu mais e a criança acabou sendo transportada para a Santa Casa pelo próprio veículo do Hospital Santa Isabel.”
Ele confirma, no entanto, que no outro dia, por volta das 12h, foi uma ambulância do Samu que levou a criança de volta de Sertãozinho para Jaboticabal.
“Temos um chamado inicial, temos um chamado logo depois discutindo essa questão de ser suporte básico e temos um no final, por volta de 21h e pouco, questionando novamente o suporte avançado, quando já estava definido que não haveria suporte avançado.”




