[ad id=”92272″]
A família de um menino de 6 anos, que morreu em Franca (SP) após ser atropelado por uma moto quando ia para escola, decidiu doar os órgãos da criança nesta quinta-feira (16). O gesto foi a maneira encontrada pela família de Diogo Henrique Balbino Soares para transformar a dor em esperança.
Enquanto o coração e o fígado do menino foram levados para um paciente em São Paulo, os rins esperam para ser transplantados em Ribeirão Preto (SP). “Apesar da vidinha dele ter isso embora, ele pode salvar outras crianças. Eu só quero conhecer a criança para quem foi doado o coração”, afirmou a mãe de Diogo, Raquel Pereira Balbino.
O menino foi atropelado na manhã de terça-feira (14), na Avenida Adhemar de Barros, no Jardim São Luiz, quando atravessava a rua para chegar ao colégio. Segundo testemunhas, uma moto desviou de um carro para evitar uma colisão e acabou acertando o menino. A Polícia Civil vai abiri inquérito para apurar a responsabilidade pelo acidente.
Diogo foi socorrido e levado para a Santa Casa de Franca com traumatismo craniano. Na noite de quarta-feira (15), ele não resistiu aos ferimentos e teve morte encefálica. “Não acreditei na hora que aconteceu o acidente. A gente fez tudo para ele sobreviver, mas não teve jeito não”, lembrou a madrinha da criança, Neila Cristina Pereira.
<< Menino de 6 anos morreu ao ser atropelado por moto quando (Foto: Marcio Meireles/EPTV)
Decisão
Após conversar com a família, a mãe do menino decidiu doar os órgãos do filho para salvar a vida de outras crianças. “Achei uma decisão boa, porque apesar de ele não ter sobrevivido, outra pessoa pode sobreviver com algum pedaço dele”, afirmou Neila.
Nesta quinta-feira, uma equipe de transplante do Instituto do Coração (Incor) e outra do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (HC-RP) trabalharam em conjunto para retirar os órgãos do menino. O procedimento durou cerca de seis horas.
“É um procedimento complicado. Neste momento não pode ter falhas, porque um erro durante a captação pode prejudicar o órgão que vai ser doado. Tem que ser um procedimento com bastante cautela para fazer valer a pena o esforço do paciente que está doando seus órgãos”, afirmou o urologista Leonardo Calazans.
Transportados de avião, coração e fígado foram levados para a capital paulista, enquanto, de acordo com o coordenador da equipe de transplante Ênio David Mente, os rins ainda terão os receptores definidos.
“A maioria dos pacientes que vai para uma fila de transplante tem uma sobrevida em torno de um ano. Mas a gente tem no Brasil uma deficiência de órgãos e as filas nos diversos serviços têm 50, 100, 120 pacientes aguardando órgãos”, explicou Mente.
Ainda segundo ele, a doação de órgãos infantis é mais defasada do que de adultos, tornando a espera ainda maior.

Coração, fígado e rins da vítima foram doados para pacientes em São Paulo e Ribeirão Preto (Foto: Marcio Meireles/EPTV)
Doações
De acordo com dados da Secretaria de Saúde de São Paulo, o estado é responsável por aproximadamente 45% dos transplantes realizados em todo o país. Apenas no primeiro semestre de 2015, foram transplantados 1.054 órgãos, entre os quais 699 rins, 243 fígados, 61 corações, 26 pulmões e 25 pâncreas.
A pasta informou ainda que a distribuição é feita de acordo com a gravidade do estado de saúde do paciente receptor ou da ordem de inscrição no cadastro único. Por questão de logística e principalmente do tempo para que o órgão seja transferido de um paciente para o outro, as doações são feitas normalmente dentro de um mesmo estado, exceto em casos que não sejam encontrados um receptor regional.




