
Ao chegar à sua loja em Orlândia (SP), na manhã da última quarta-feira (29), a empresária Alcineia Carvalho, de 42 anos, teve uma surpresa desagradável. A fachada da livraria estava tomada por fezes deixadas por aproximadamente 15 vacas durante uma “visita” noturna ao estabelecimento.
Imagens do circuito de segurança da loja registraram o episódio inusitado, que exemplifica um problema enfrentado pelo município de 40 mil habitantes em relação a animais soltos na área urbana. “Acho que entrei para o ramo errado. Não deveria ser uma livraria, deveria ser uma cooperativa de ração”, ironizou a comerciante.
A sujeira deixada por vacas, cavalos, entre outros bichos, tem causado transtornos em outros locais, como postos de saúde, e tem aumentado o risco de doenças, alegam os moradores.
Visita inusitada
Alcineia conta que sua livraria no Jardim Cleire Pizzo Degiovani fica a três quilômetros do Centro e não tem uma vizinhança rural, mas constantemente recebe a “visita” de animais. O movimento estranho mais recente foi na última terça-feira (28), por volta das 23h, quando 15 vacas se juntaram em frente ao estabelecimento e ali permaneceram pelo tempo suficiente para deixar o local repleto de fezes.
Coube a ela limpar a sujeira no jardim e nos vidros para evitar espantar a clientela. “Os bichos não têm noção. Saem andando, tem a grama do jardim. Às vezes pararam para comer, não sei. (…) Como, em pleno centro urbano, está esta acontecendo esse tipo de coisa?”, questionou a lojista, que não tem ideia de quem seja o dono das vacas.
<< Fezes de animais bem em frente a UBS em Orlândia (Foto: Valdinei Malaguti/EPTV)
Ela passou por uma situação parecida em outubro do ano passado, quando cavalos e jumentos pararam em seu jardim e tentaram quebrar a porta da livraria, diz a empresária. Ela atribui a “preferência” dos animais ao espelhamento que decora a fachada e que, agora, pretende tirar para evitar mais transtornos. “Os cavalos davam patada, cabeçada, iam de face à minha porta. Esse vidro é meio que espelhado, laminado. Acho que os animais se veem nele.”
Apesar disso, na opinião dela a culpa é da Prefeitura, pela falta de atenção aos animais soltos. “Já procurei outra vez, mas falaram que não podiam fazer nada porque não há um centro de controle de controle de zoonoses.”
Risco à saúde
O acúmulo de fezes de animais soltos não é um problema exclusivo da livraria de Alcineia. Na calçada da Unidade Básica de Saúde I Américo Alves, a situação se repete e incomoda os pacientes. “Deveria ser higienizado por ser um lugar hospitalar. A Prefeitura deveria prestar mais atenção. Acho um erro isso”, afirmou o encarregado de limpeza Luciano Martins enquanto acompanhava a sogra em uma consulta na UBS.
No Jardim Prado, a vendedora Elis Fernandes alega que sua filha pegou a doença de lime – transmitida pelo carrapato presente em animais – por causa da proximidade com os animais criados em frente à sua casa em Orlândia.
“Pago meus impostos para morar na zona urbana, não na zona rural. Acho isso um absurdo. A prefeita tem que fazer alguma coisa. Não é simplesmente um animal solto, ele está transmitindo doenças. Se a pessoa não tem condições para cuidar que não tenha, principalmente dentro da cidade, porque aqui não é lugar de animais”, disse.
Convênio
A assessoria de imprensa da Prefeitura informou, em nota que, a administração municipal estuda celebrar um convênio com uma entidade que recebe animais recolhidos, mas não dá prazo.
“Esse estudo se deve às exigências da Coordenadoria de Defesa Animal do Estado de São Paulo, para a celebração do convênio, visto que a entidade está estabelecida em outro município e para o transporte dos animais até o destino é necessária à emissão da Guia de Trânsito Animal”, comunicou.
Do G1 Ribeirão e Franca



