
A ingestão de uma pilha causou a morte de um menino de 1 ano na quinta-feira (19), em Ribeirão Preto (SP), de acordo com a família da criança. O avô do garoto Davi Rodrigues dos Santos, Gelson Ferreira dos Santos, afirma que o objeto foi descoberto e retirado do corpo do seu neto em 8 de março no Hospital das Clínicas (HC-USP), depois de dois atendimentos na Unidade Básica Distrital de Saúde (UBDS) da Vila Virgínia.
Na primeira consulta, segundo ele, o bebê foi medicado e liberado, sem que o problema fosse diagnosticado. Na segunda ida à unidade, motivada pelo fato de menino vomitar sangue, a pilha foi encontrada no esôfago e a criança foi encaminhada para uma submetido a uma endoscopia digestiva alta no HC, mas Davi morreu oito dias depois de receber alta.
A Secretaria Municipal da Saúde, em nota, confirma os atendimentos realizados na UBDS e alega que, no primeiro deles, a equipe médica não foi informada, em nenhum momento, sobre qualquer tipo de sintoma que pudesse levá-la a já solicitar exames específicos.
O HC comunicou que a criança foi hospitalizada na noite de 7 de março e que foi liberada após cirurgia para retirada da pilha, no dia 11, “em boas condições de saúde.”
Família não sabia da pilha, diz avô
Santos explica que tudo começou na manhã de 6 de março, uma sexta-feira, quando ele e sua filha notaram que Davi vomitava e tinha dificuldade para defecar. Diante disso, resolveram levar o menino pela primeira vez para atendimento na UBDS da Vila Virgínia, onde ele foi medicado e liberado, mas sem a constatação do problema.
Até então, segudno ele, ninguém da família sabia que o menino tinha engolido uma bateria. “Como é uma criança de 1 ano que não sabe falar, as médicas chegaram lá, nem examinaram e falaram que era virose. Deram dipirona, paracetamol, uma injeção para cortar a dor e mandaram para casa de volta”, relata o pintor.
O avô explica que os sintomas não passaram e que, no mesmo dia, ele e a filha retornaram à UBDS com a criança. Santos diz que, dessa vez, solicitou um exame de imagem em Davi. “Quando tiraram o raio-X, constou que ele tinha engolido alguma coisa de metal.”
<< Enterro aconteceu nesta sexta-feira (20), no Cemitério Bom Pastor (Foto: Reprodução/ EPTV)Depois da confirmação pelo exame, Davi foi encaminhado para a Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC-UE), onde passou por procedimento que retirou uma bateria e um osso de frango de seu corpo, sem necessidade de cirurgia.
O garoto ficou em observação até o dia 11, quando recebeu alta e voltou para casa sem apresentar problemas, afirma a família. Mas oito dias depois de ser liberado, o garoto começou a sangrar pelo nariz e pela boca enquanto era alimentado pela mãe, diz Santos.
O avô conta que tentou colocar o menino com a barriga para baixo, mas o sangramento não cessou e que o levou às pressas para a UBDS. A correria, no entanto, não adiantou. A equipe do hospital chegou a providenciar equipamentos para a ressuscitação do bebê, mas não houve tempo.
“Quando eu cheguei ao hospital os médicos me atenderam muito bem. Quando eu o coloquei na cama de emergência, ele foi morrendo”, lamenta.
Prefeitura
Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria Municipal da Saúde informou que a mãe da criança procurou atendimento médico na UBDS da Vila Virgínia no dia 7 de março, às 8h29, sem informar “em nenhum momento”, qualquer outro tipo de sintoma, além da febre e da dificuldade para defecar, “que pudesse levar a equipe médica a solicitar exames mais específicos.”
Também confirmou que, no mesmo dia, às 19h, a criança foi novamente atendida, mas desta vez com a informação de que ela também tinha dores abdominais. Fato que, de acordo com a secretaria, motivou a realização do raio-x, que detectou a presença da pilha no esôfago.
Sobre o atendimento de emergência realizado na quinta-feira, às 12h50, a Prefeitura comunicou que a criança já chegou à UBDS em parada cardiorrespiratória. “Foram realizados procedimentos de ressuscitação sem sucesso.”
Hospital das Clínicas
Por meio de seu departamento de comunicação, o HC confirmou o atendimento realizado a partir do dia 7, bem como a realização, no dia 8, de uma endoscopia digestiva alta e da retirada de um osso de frango e de uma pilha. “O procedimento foi bem sucedido e sem intercorrências”, informou.
Segundo o hospital, o bebê ainda ficou em observação por três dias e meio na enfermaria de pediatria, “período em que não apresentou queixas e se alimentou normalmente”, e que recebeu alta no dia 11 em boas condições.
Do G1 Ribeirão e Franca




