Pergunta: Prefeito, conte-nos um pouco sobre a canalização do córrego Santa Rita e da pavimentação daquele local específico, que hoje é chamado de Avenida 22 de Maio.
Carlão: Pois bem, quando eu fui prefeito pela primeira vez, por volta de 1978, 1980, naquela época, nós encontramos aquele trecho da Avenida 22 de Maio, principalmente entre a Avenida Maciel e Rua Cerqueira César, praticamente erodidos. Os moradores ainda se lembram que não tinham condições nem de acessarem suas casas através de garagens, porque a erosão tomava conta. Tão logo eu assumi, na época, fizemos um projeto pelo engenheiro de Igarapava, Dr. Valdemar Augusto de Araújo, de uma galeria fechada, com dimensão de 3×3 metros, cujo o objetivo era capitação das águas de chuva. Na época o esgoto de Igarapava era a céu aberto e lançado diretamente no córrego Santa Rita, razão pela qual nós fizemos em sessão fechada. Esse projeto foi feito e concluído na minha gestão ainda, naqueles trechos da Sabesp até o Madrugada. Então, foi feita uma sessão fechada em concreto armado, muito bem dimensionado na época e, posteriormente, nós fizemos a pavimentação sobre o córrego Santa Rita que é a Avenida 22 de Maio.
“a cidade cresceu, foi ampliando seus bairros e, infelizmente, não se preocuparam nem em fazer galerias de águas pluviais nos locais”
Posteriormente a isso, foram feitos mais dois quarteirões à montante do córrego, que é da Sabesp até o Supermercado Paulista. Porém, esses dois trechos não seguiram o projeto técnico implantado por mim. Foi feita uma galeria com tubos com dimensão inferior ao projetado no trecho que eu executei. De lá pra cá, nada mais foi feito. Igarapava cresceu bastante em 35 anos. Na época do projeto, Igarapava era da rodoviária nova até a estação. Não tínhamos esse número maior de casas. De lá pra cá, mais de 5 mil imóveis foram construídos; a cidade cresceu, foi ampliando seus bairros e, infelizmente, não se preocuparam nem em fazer galerias de águas pluviais nos locais onde a cidade cresceu, muito menos pensar em uma forma, ou de desviar as águas do córrego Santa Rita ou fazer uma galeria lateral de suporte para poder captar essas águas que, naturalmente, na medida que cidade foi crescendo, a as águas da chuva que percorrem por ela aumentaram.
Pois bem, agora, depois de 35 anos, estamos deparando com o mesmo problema, porque as águas são lançadas na montante do córrego Santa Rita, vem a céu aberto e quando chega no setor canalizado com dimensão inferior ao que realmente precisava ser feito, ela não encontra vasão para entrar na galeria. Essa é a razão pela qual ela passa foi cima do pavimento (asfalto). Aqui em baixo comporta a quantidade de água, mas lá onde a água chega, a sessão é insuficiente para a capitação dessas águas. Então, o que está acontecendo? As águas estão passando por cima, correndo na via pública na avenida, e entrando nos imóveis que circundam ela, porque a água não tem onde entrar no tubo. O tubo é subdimensionado e isso é um problema sério e grave.
Graças a Deus, tivemos a sorte de a bomba cair na minha mão de novo, porque eu sei resolver o problema, senão iriam ficar enrolando aí…
“As águas estão passando por cima, correndo na via pública na avenida, e entrando nos imóveis que circundam ela, porque a água não tem onde entrar no tubo”
Então, nós já estamos desenvolvendo um projeto; já contratei uma empresa para isso, e no início do mês de fevereiro, já tenho uma audiência marcada com o Ministro das Cidades Gilberto Kassab, ex-prefeito de São Paulo, que me convidou para ir à Brasília e levar as reivindicações e eu estou levando um grande projeto de macro e micro drenagem de toda extensão do córrego Santa Rita, para ver se eu consigo esses recursos junto ao Governo Federal para a execução dessas obras, que irá custar em torno de R$ 15 milhões.O município não tem condições de executar com recurso próprio, e nós vamos atrás do recurso para, realmente, iniciar essa grande obra que Igarapava precisa dela, que é a contenção das águas de chuvas, a execução de galerias pluviais nos bairros onde foram pavimentados e não foram executados os serviços de galeria. Ao que me consta, a última galeria que foi feita na cidade é aquela da Custódia Ribeiro que foi uma recuperação, e nós já estaremos iniciando, agora em fevereiro, galerias na Vila Marilene – projeto já foi licitado, na Zeca Marçal… uma série de obras já está sendo feitas..
Esse projeto é uma prioridade, é um desafio, não só como político, mas também como engenheiro civil que sou. Estou correndo atrás, e se Deus quiser, nós vamos resolver esse problema sim, não sei se em dois anos mas, pelo menos, iniciar em dois anos.
Pergunta: Carlão, eu tenho notado que você tem se preocupado com outras obras de drenagem urbana que não comprometem a Avenida 22 de Maio. Poderia falar um pouco sobre elas?
Carlão: Sim, elas não comprometem diretamente a Avenida 22 de Maio, mas vão desaguar no córrego Santa Rita. Nós temos um exemplo do lotamento Jardim Bothânico, que a administração passada aprovou mais de três mil e quinhentos lotes, sem se preocupar com o destino final dessas águas. Pensou-se no loteador e no seu projeto e tentaram criar alternativas de construção de cacimbas, diques de contenção. Isso não resolve o problema. Veja que na Morada do Verde o dique estourou e a água veio arrebentando tudo para baixo. O Jardim Portinari é outro exemplo. Simplesmente, a administração aprovou um projeto onde eles desaguariam todas as águas de chuva em uma represa seca .Isso não existe !
Nós já fomos na Cetesb já exigimos um TAC (Termo de Ajuste de Conduta). Essa empreendedora desse Loteamento vai ter que construir a galeria até na nascente do córrego Santa Rita e fazer as contenções adequadas, para que essa água não venha de uma só vez arrebentando tudo para baixo. Ela tem que ser contida lá na nascente.
“…já estamos desenvolvendo um projeto; já contratei uma empresa para isso, e no início do mês de fevereiro, já tenho uma audiência marcada com o Ministro das Cidades, Gilberto Kassab”
Então nós já exigimos isso no Morada do Verde, Evaristo, Jardim Portinari e outros empreendimentos que estão sendo implantados ali… vão ter que fazer um estudo novo e um projeto de drenagem para a contenção das águas. Com relação ao Jardim Bothânico, essas águas são jogadas no Córrego da Saudade que, também, é um córrego que não sei eu dou conta de fazer agora, mais precisa ser feito um projeto ali futuramente de contenção dessas águas e canalização daquele rio, porque, hoje, é muita água que é jogada ali, e essas águas vão se encontrar lá na ponte onde nós vamos construir na ligação do José Pimentel com o Ricardo Bozolla. Então ali vai ser um ponto crítico de encontro dessas águas. É um projeto muito grande, que tem que ser tratado com muito carinho e um desafio dos próximos administradores dessa cidade.
“Esse projeto é uma prioridade, é um desafio, não só como político, mas também como engenheiro civil que sou”
Pergunta: É importante lembrar que quem faz o loteamento, é obrigado entregar com obras de drenagem e entregar pavimentado…
Carlão: Ah sim, hoje não se faz mais loteamento sem execução de obras de drenagem. Infelizmente, Igarapava não teve um projeto decente para o destino final dessas águas.
Foi feito um projeto muito bem feito no loteamento, mas não é só porque o loteador quis não, é lei. Ele tem que dotar de água, esgoto, guia, sarjeta, iluminação pública, pavimentação… mas, simplesmente, fizeram dentro do loteamento o tinha que ser feito, e largou o problema para a prefeitura resolver, do loteamento pra frente.
Igarapava é uma cidade antiga, de uma topografia completamente irregular, com um desnível em torno de cem metros do ponto mais alto até o córrego. Então, essa água vem arrebentando tudo. Como não tem galeria, ela vem a céu aberto, correndo através das ruas.




