
Taiga Cazarine G1 Ribeirão e Franca
Convencer crianças sedentárias e acima do peso que fazer atividade física é algo divertido e prazeroso não é uma tarefa fácil. No entanto, esse é o objetivo de um projeto desenvolvido pela Escola de Educação Física e Esporte da Universidade de São Paulo (EEFERP/USP) em Ribeirão Preto (SP), que utiliza jogos interativos de videogame para entreter meninos e meninas, de 7 a 10 anos, e comprovar cientificamente que é possível se exercitar brincando.
As aulas são realizadas duas vezes por semana, com a duração de uma hora, no Laboratório de Exercício e Mídia Interativa, anexo ao Ginásio Poliesportivo da EEFERP/USP. A sala conta com cinco videogames Xbox e espaço para atender cinco crianças por vez. Os pequenos fazem alongamento antes e depois das atividades, e podem escolher entre diversos tipos de jogos, que exigem habilidades físicas com vários níveis de dificuldade.
professor Hugo Tourinho Filho, um dos coordenadores do projeto, explica que dois fatores foram primordiais para o início da pesquisa: obesidade infantil e ocorrência de doenças crônico-degenerativas em crianças, como o diabete tipo 2, hipertensão, e nível elevado de colesterol, que geralmente acometem apenas adultos. Ele ressalta ainda que o foco do projeto não é fazer a criança perder peso, mas proporcionar uma experiência positiva para que se interesse pela prática de esportes.
Tourinho Filho afirma que, muitas vezes, as atividades são usadas para preencher o tempo ocioso nas escolas, ou ainda são vinculadas com castigos, como quando a criança não consegue alcançar uma meta e é punida fazendo polichinelos, por exemplo. ” Primeiro, queremos conquistá-la. Exercício não é castigo, é algo bom. Quando estiverem mais estimulados com a ideia, partiremos para uma segunda etapa, que é levá-los para atividades externas”, explica.
<< Tourinho Filho explica que obesidade não é único fator limitante para o sedentarismo das crianças (Foto: Taiga Cazarine/G1)Ainda de acordo com o pesquisador, artigos científicos comprovam que a obesidade não é o único fator limitante para o sedentarismo, basta que a criança obesa desenvolva uma atividade que respeite suas limitações. “Muitas vezes, não é a criança com sobrepeso que não quer participar dos jogos na escola, mas ela quase sempre é excluída pelo coletivo. Nossa proposta é mostrar que ela tem lugar e pode se sentir à vontade”, afirma.
A intenção dos pesquisadores é manter o projeto por tempo indeterminado para, mais do que coletar e analisar dados, transformá-lo em um programa de extensão, de cunho social. Até por isso, as crianças também receberam uma tabela com diversos desenhos de alimentos, para que possam marcar diariamente o que comem e avaliar a qualidade nutricional do que estão ingerindo.

Crianças fazem alongamentos antes e depois de iniciarem os jogos interativos (Foto: Taiga Cazarine/G1)
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