Uma mulher de 38 anos acusa a Santa Casa de Patrocínio Paulista (SP) de negligência após ter o braço esquerdo amputado. A paciente, que prefere não se identificar, diz ter passado seis vezes por atendimento na unidade e recebido o diagnóstico de tendinite. Entretanto, como as dores pioraram, ela consultou um médico particular em Franca (SP), que a diagnosticou com um quadro de trombose e embolia.
O administrador da Santa Casa afirma que os procedimentos adotados no hospital foram corretos e que não foi procurado pela paciente para relatar a acusação.
O advogado da cortadeira de peças diz que vai processar os envolvidos no atendimento em Patrocínio Paulista.
A paciente conta que buscou atendimento durante uma semana, mas que as dores não passaram. As receitas da paciente mostram que um analgésico comum foi prescrito. “Eu fiquei uma semana indo e por fim o médico falou que podia ser depressão, um outro falou que eu podia tomar um remédio baratinho para tirar a dor, porque era tendinite.”
Como as dores pioraram, a mãe da cortadeira decidiu pagar uma consulta médica em Francapara a filha, e no dia 8 de outubro ela passou pela cirurgia. “Ele [médico] me falou que tinha dado trombose e imediatamente eles foram fazer uns exames para confirmar. Ele ficou assustado quando viu o meu braço, porque ele falou assim que era para ter visto isso por causa da situação que estava a mão. Na mesma hora que eles acabaram de fazer o exame, o médico já me internou, mas aí não teve jeito. Amputou”, afirma.
<< Mulher acusa médicos da Santa Casa de Patrocínio Paulista de negligência (Foto: Reprodução/EPTV)Após ter sido operada, a cortadeira diz que não procurou o hospital em Patrocínio Paulista. “Eu acho que eles não me deram atenção, porque era para eles terem olhado, pegado no braço, pedido uns exames, o descaso deles foi ter mandado eu tomar um remédio baratinho.”
Atendimento correto
Segundo o administrador do hospital Geter Simão Ferreira, a cortadeira passou três vezes por atendimento na Santa Casa no início de outubro e foi encaminhada a um ortopedista. “O que mostra na ficha, na hipótese do diagnóstico do primeiro dia de atendimento, devido ao trabalho que ela exerce, é que ela tinha uma tendinite. A médica encaminhou para um ortopedista. Ela [paciente] veio, marcou para o dia 2 de manhã e foi atendida pelo especialista. Ficou aguardando os resultados de exames, os quais ela fez, e voltou depois no dia 3. No dia 3, ela passou com um outro plantonista, e depois desse dia a paciente não retornou mais ao hospital”, afirma.
De acordo com Ferreira, das vezes que passou pelo hospital a paciente foi medicada ainda no local. “Eu não tenho acesso à receita que o médico passou, eu tenho acesso à ficha de atendimento dela na Santa Casa. Ela tomou todos os medicamentos pertinentes ao quadro que ela tinha que era uma dor muito forte no braço”, diz.
<< Administrador diz que paciente passou 3 vezes por atendimento no hospital (Foto: Reprodução/EPTV)O administrador afirma que o quadro de tendinite pode ter evoluído para a trombose. “Uma trombose pode acontecer em poucas horas. Pode desenvolver depois de uma tendinite uma trombose. Só que não foi o que ocorreu com a paciente aqui junto com a gente. O médico tomou todas as precauções, ela estava aguardando o resultado dos exames. Ela não voltou depois do dia 3 [de outubro]”, relata Ferreira.
Segundo o advogado da paciente, Denílson Carvalho, o hospital foi negligente. “Nós temos a comprovação de que no dia 3 de outubro à noite, um médico da rede pública olhou a paciente e não identificou nada. Já no dia 4, no dia seguinte, no médico particular, foi identificado e ela teve que amputar o braço. A negligência e a imperícia estão evidentes, e nós ingressaremos com ação judicial para que os responsáveis sejam integralmente responsabilizados.”
Do G1 Ribeirão e Franca




