
A banda Death dispensa quaisquer comentários, sinopse ou introdução pra começar essa resenha, quem curte o estilo death metal de verdade sabe muito bem a história da banda. A grande questão é que estamos falando aqui do tributo ao Death e não da banda Death. Foi incrível a quantidade de pessoas que confundiram esse conceito nas redes sociais, associando a apresentação que ocorreu no último 7 de setembro a de uma banda cover qualquer.
Para começo de conversa, banda cover não é engajada em causas sociais, só para ficar clara a diferença. Até concordo com o argumento de alguns que eu li por ai nas redes sociais, “não existe Queen sem Freddie Mercury, Metallica sem James ou até mesmo Megadeth sem Dave” e por ai vai, a lista estava grande. É preciso ter cuidado com certos argumentos que se lê por ai para não tomar como verdade absoluta, nem sempre uma banda que reúne antigos membros, mesmo sem seu fundador original, pode ser considerada oportunista. Ainda mais se a questão é reunir membros para fazer homenagem ao vocalista falecido há mais de 10 anos e ter uma causa social por de trás do projeto, acho extremamente louvável, como é o caso do Death DTA. O projeto Death To All existe desde 2012 e quando foi criado, 20% da renda obtida dos ingressos e merchandise foi destinada ao fundo Sweet Relief (maiores informações no site https://www.sweetrelief.org).
A Death To All Tour foi idealizada por Gene Hoglan, que tocou nos álbuns Individual Thought Patterns e Symbolic do Death. Além de Gene, temos Danny Walker que toca no Intronaut, e Sean Reinert, que gravou o álbum Human. No baixo, temos o grande Steve DiGiorgio que tocou nos álbuns Human e Individual Thought Patterns e Scott Clendenin, que tocou no álbum The Sound Of Perseverance. Os trabalhos de guitarra estão sendo compartilhados por Paul Masvidal que tocou no Human, Hamm Shannon (The Sound Of Perseverance) e Koelble Bobby (Symbolic). Enquanto isso, os vocais foram sendo divididos desde o inicio por Matt Harvey do Exhumed, Steffen Kummerer do Obscura, Charles Elliott do Abysmal Dawn e Max Phelps do Cynic.
O line up que tocou no Brasil contou com Gene Hoglan (bateria), Bobby Koelble (guitarra, ex-Death), Steve DiGiorgio (baixo, ex-Death, Autopsy, Testament, Iced Earth), Max Phelps (vocal, Cynic) a frente do show a maior parte do tempo e Steffen Kummerer (Obscura) como segundo vocalista.
A abertura ficou a cargo do Test e do D.E.R. que fizeram uma fusão interessante no palco, transformando duas bandas em uma unica banda de abertura, prendendo a atenção da galera e esquentando o público do Via Marquês que já se encontrava lotado. Aproximadamente meia hora depois do término do Test/D.E.R., as cortinas se abrem e é executada uma introdução de Out Of Touch, do álbum Individual Throught Patterns, e a sequência não poderia ter sido melhor, The Philosopher, para dar início a esse show esperado por muitos fãs há anos.
Max Phelps foi considerado por muitos ali presentes como se tivesse incorporado a alma de Chuck Schuldiner, os vocais e os trejeitos dele no palco eram bem semelhantes ao de Chuck; somado ao set list matador apresentado por ele, fez muito marmanjo barbado chorar. Quem conhece o trabalho do Max no Cynic e viu ele ao vivo no DTA, não diz que é a mesma pessoa. Ele cantou as outras sete músicas da primeira parte do show que foram: a dobradinha Leprosy/Left To Die, Living Monstrosity, Suicide Machine, In Human Form, Lack Of Comprehension, outra dobradinha com Spiritual Healing/Whitin The Mind e Flattening Of Emotions.
A segunda parte do show, liderada pelo vocalista Steffen Kummerer, tocou apenas quatro músicas: as excelentes Symbolic e Zero Tolerance, depois Bite The Pain e Overactive Imagination. Foi uma apresentação cheia de personalidade mas nada semelhante a apresentação de Max Phelps, que retornou ao palco para as três músicas finais.
O encore ficou com mais uma dobradinha, Zombie Ritual/Baptized In Blood, e depois foram Crystal Mountain e Pull The Plug, que encerraram a apresentação de um grande show, onde muita gente nem imaginava que um dia fosse assistir,sem contar que tratou se de uma das poucas atrações inéditas que passaram pelo Brasil em 2014.
Fonte: www.rockbrigade.com.br



