Amanda Pioli
Do G1 Ribeirão e Franca

Em meio à crise do setor calçadista de Franca (SP), as exportações de sapatos para o Oriente Médio até julho deste ano cresceram 58,2% em relação ao mesmo período de 2013. Países como Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos aparecem entre os primeiros na lista dos maiores importadores do produto regional.
De acordo com o Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), dos 1.834.137 pares exportados pela cidade em sete meses, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Kwait responderam pela compra de 362.186 pares, superando os 228.898 do ano anterior.
Segundo maior importador do município este ano, a Arábia Saudita elevou sua participação nos negócios de 7,14% para 11,09%. Terceiro colocado na lista, os Emiradores Árabes saíram dos 4,61% de participação atingidos em 2013 para 6,99%. Em 14º lugar, o Kwait somente responde por 1,67%, mas comprou 16,42% mais.
Ao mesmo tempo em que essas nações têm mais acesso ao sapato de Franca, tradicionais compradores como os Estados Unidos – principal importador da cidade desde a década de 1980 – adquiriram menos calçados. Ainda em primeiro lugar na lista local de exportações, os norte-americanos fecharam este ano 27,6% dos negócios com Franca, enquanto que no mesmo período do ano passado assinaram 35,16% dos contratos.
Nações da América Latina, segundo Brigagão, acompanham essa tendência. “Nesse continente, nossas principais exportações eram para a Argentina, mas, por falta de entendimento entre os dois governos, nossas exportações estão zeradas”, lamenta Brigagão.
<< Fábricas tentam se adaptar aos pedidos do Oriente Médio (Foto: Divulgação)Modelos
O empresário José Rosa Jacomete alega que suas vendas aumentaram 44% para o Oriente Médio. “Eles não estão atrás de preço, estão atrás de qualidade. Se você oferecer isso e agradar, não é pelo preço que eles vão deixar de comprar”, afirma.
Contudo, segundo ele, foi preciso entender o que esses consumidores queriam para obter alta nas negociações. “Eles são bem conservadores. Não gostam de sapato de cadarço, gostam muito de sapato de enfiar o pé, por dois motivos: rezam muito e, toda hora que rezam, tiram o sapato. Eles também tiram o sapato na porta de casa. Então 99% dos sapatos são assim”, explica.
Mudança no perfil
Atualmente, mais de 60 países recebem o sapato produzido em Franca. A modificação de compradores se fez necessária diante da competição asiática, que apresentava melhores preços. Mesmo com o aumento nas vendas, o número de exportações ainda é considerado insatisfatório. “A exportação nossa é muito pequena em relação ao passado. Em 1993, exportávamos 15 milhões de sapatos, hoje exportamos 3 milhões”, diz Brigagão.
Segundo o presidente do Sindifranca, falta de políticas específicas e a concorrência asiática são as principais barreiras do setor. “Temos que fazer o dever de casa que não fizemos. Temos que reduzir os custos no Brasil, senão vamos ficar sempre nesses altos e baixos da produção brasileira”, ressalta.




