
casos de agressão física e verbal contra professores
são recorrentes (Foto: Antônio Luiz/ EPTV)
Casos como o da professora agredida em meio a uma briga de alunos (veja vídeo abaixo) em uma escola estadual de Ribeirão Preto (SP) chegam ao Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp) semanalmente. A afirmação é do coordenador regional da entidade, Mauro Inácio, explicando que entidade não tem um levantamento oficial dos casos de agressões física e verbal a docentes, mas que as ocorrências poderiam ser mais numerosas caso as direções das escolas não intimidassem os professores a não darem sequência às reclamações.
A Secretaria Estadual da Educação nega as acusações do Sindicato e informou que desde 2009 conta com um projeto que acompanha situações de vulnerabilidade em todas as escolas da rede.
Por outro lado, Inácio alega que o escritório regional da Apeoesp em Ribeirão recebe, por semana, a visita de ao menos um professor da rede estadual afirmando ter sido vítima de violência em sala de aula. As situações mais comuns, de acordo com ele, são relacionadas à violência verbal, mas também há ocorrências de agressões físicas, sobretudo tendo mulheres como vítimas. “Existe violência contra os professores de todos os jeitos. Uma vez por semana temos docente reclamando”, diz.
Mauro Inácio afirma ainda que a média só não é maior porque muitos profissionais de ensino se sentem pressionados pelas direções das escolas a não comunicar o fato aos órgãos competentes. Mesmo vítimas da violência, eles são pressionados a não registrarem boletim de ocorrência, afirma o coordenador regional.
“Muitas vezes, o professor não nos procura. Professor é proibido de chamar a polícia, o diretor da escola impede isso porque é orientado pela Secretaria, pela Diretoria de Ensino. Em hipótese alguma pode sair esse tipo de coisa. Só quando ele [docente] tem nosso respaldo que ele vai para o enfrentamento”, diz.
Estado se defende
A Diretoria Regional de Ensino de Ribeirão Preto garantiu, por meio de assessoria de imprensa, que todos os episódios de violência envolvendo alunos e professores são acompanhados pontualmente e “que não compactua com qualquer caso de omissão.”
Em nota, o departamento de comunicação também informou que, além de dispor de 115 professores-mediadores especializados em ações preventivas na região de Ribeirão Preto, a Secretaria conta, desde 2009, com o Sistema de Proteção Escolar em todas as escolas estaduais, que oferece apoio às unidades de ensino em relação a situações de vulnerabilidade, “o que não condiz com as afirmações do sindicato.”
Em relação à briga entre os dois estudantes na Escola Estadual Professor Walter Paiva, a pasta comunicou que as providências necessárias já foram tomadas. “A professora que estava em sala de aula registrou um boletim de ocorrência, os pais de ambos os estudantes foram convocados para uma reunião e o conflito foi relatado ao Conselho Tutelar, que acompanhará a situação dos estudantes.”
Agressão
Uma professora foi agredida em meio a uma briga de dois alunos no dia 31 de julho. O conflito foi gravado por um aluno e enviado por um professor pelo VC no G1. As imagens mostram uma adolescente ofendendo e provocando um garoto, que está sentado na carteira. Em seguida, o jovem levanta e os dois começam a trocar socos e chutes. A professora grita e pede para que os dois parem, tenta separar a dupla e acaba sendo agredida com socos na cabeça.
Procurada pelo G1, a educadora disse que não quer comentar o caso, apenas confirmou ter feito um boletim de ocorrência sobre o caso.
Outro docente da escola denuncia que as agressões são constantes. Sem ser identificado, o homem reclama que o principal problema é a impunidade: desde janeiro, segundo ele, quatro casos de agressão e ameaça contra professores foram registrados. Por isso, de acordo com o denunciante, os professores fizeram um acordo informal para que os casos sejam registrados na Polícia Civil, sempre que acontecerem.
Rodolfo Tiengo
Do G1 Ribeirão e Franca



