
Depois de ter lançado nos últimos anos alguns discos flertando com a música eletrônica e exaltando a música japonesa, Marty Friedman resgata suas raízes em “Inferno”, seu trabalho mais recente. Agressivo, distorcido, acelerado, incendiário, cortante e insano são alguns dos adjetivos que vão passar pela cabeça do ouvinte enquanto a faixa-título abre o repertório.
Mas quem conhece um pouco da carreira do guitarrista sabe que ele é versátil e talentoso demais para se prender a qualquer tipo de fórmula. Assim, “Resin”, que vem em seguida, tem muitas mudanças de andamento e um clima mais denso. Já “Steroidhead” lembra o lendário “Dragon’s Kiss”, de 1988.
Existem três músicas cantadas em “Inferno”. O polêmico Danko Jones é o responsável pela fraca “I Can’t Relax”. Ele ainda divide as linhas de “Lycanthrope” com Alexi Laiho, do Children of Bodom – faixa que poderia estar facilmente em um disco da banda do finlandês.
David Davidson, por sua vez, assume o microfone na mais moderna “Sociopaths”, com afinação baixa, linhas de voz rasgadas e um refrão ‘clean’. Outro convidado é o saxofonista norueguês Jørgen Munkeby, que faz um dueto com Friedman na bizarra “Meat Hook”.
Um dos destaques é “Undertown”, mais suave, cheia de feeling e belos temas, além de contar com a participação especial dos veteranos Gregg Bissonette na bateria e Tony Franklin no baixo. Esta se parece mais com “Scenes”, de 1992. É impossível também não destacar a inspirada “Wicked Panacea” e a incrível “Horros”, assinada em parceria com o mestre Jason Becker.
Acostumado a ultrapassar fronteiras musicais, o guitarrista nem sempre agrada os mais puristas. Mas, ainda que conte com três faixas cantadas dispensáveis, “Inferno” é um de seus melhores discos e mais uma prova de que Marty Friedman está, simplesmente, em outro nível.

01. Inferno
02. Resin
03. Wicked Panacea
04. Steroidhead
05. I Can’t Relax
06. Meat Hook
07. Hyper Doom
08. Sociopaths
09. Lycanthrope
10. Undertow
11. Horrors
12. Inferno (reprise)
Fonte: Território da Música



