
A Cooperativa de Trabalho dos Recicladores de Orlândia (SP) começou, há duas semanas, uma pesquisa inédita na região de Ribeirão Preto. Um dos objetivos é saber, exatamente, quantas e quais residências separam o lixo reciclável do orgânico e, com isso, promover campanhas educativas para conscientizar o maior número possível de moradores. O Plano Municipal de Gerenciamento Integrado, aprovado em 2012, prevê que 100% da cidade façam a separação de material reciclável, mas, como não há fiscalização, a estimativa do presidente da entidade, Anderson da Silva Nassif, é que apenas 40% das cerca de 12 mil residências estejam colaborando com o trabalho. Isso significa, segundo ele, um desperdício de R$ 1 milhão por mês.
O G1 pediu, desde a última sexta-feira (18), um posicionamento da Prefeitura sobre o assunto, mas a administração não se manifestou até a publicação desta matéria.
O presidente da cooperativa diz que, além de contar as residências, o estudo prevê identificar os bairros que mais misturam lixo reciclável aos rejeitos comuns. Segundo ele, cerca de 30% a 40% das sacolas com descartes orgânicos têm, também, plásticos, latas e papéis, que poderiam gerar mais renda à cooperativa. “Sabendo quais são as regiões com mais problemas, podemos pedir para que a população colabore mais”. Até um jabuti vivo foi encontrado, recentemente, em uma das sacolas.
Os 33 funcionários da Cooperlol deixam nas residências saquinhos para que os moradores coloquem os recicláveis, que são recolhidos sempre na semana seguinte. Atualmente, a cooperativa coleta cerca de 110 toneladas de material por mês, o que representa somente de 10% a 12% do que seria possível aproveitar. O restante vai para o aterro sanitário, o que representa uma perda de cerca de R$ 1 milhão. “Se todas as casas colaborassem, daria para aumentar imediatamente a coleta em pelo menos mais 160 toneladas”, explica Nassif.
A cooperativa existe desde 2005. Faz a coleta de recicláveis em todos os bairros de Orlândia – cerca de 20, segundo Nassif – e no centro. Para isso, conta com três caminhões, sendo dois próprios e um cedido por 30 anos pela Prefeitura, duas esteiras, duas prensas e um triturador de papel. O material é separado em dois barracões.
40% dos moradores de Orlândia reciclam lixopara a cooperativa (Foto: Divulgação/Cooperlol)Gestão
Para que a destinação correta de resíduos sólidos seja fortalecida, a gestora ambiental e bióloga Pâmela Mara de Oliveira, que participa do projeto de contagem das residências, afirma que a conscientização deve ser constante e, para isso, é necessária a ajuda do poder público, fiscalizando e até multando as casas que não fazem a separação do lixo. “Quando mexe no bolso, as pessoas parecem se conscientizar mais rápido”.
Ela, que pesquisa o assunto, atua em cinco cidades e conhece o trabalho feito em outras, declara que o estudo iniciado em Orlândia é único na região de Ribeirão Preto e, por isso, se espera que os resultados apareçam rápido. “Hoje, as pessoas que separam o lixo é porque querem ajudar a cooperativa. Caso contrário, como ela vai sobreviver? Todos deveriam fazer, já que está previsto em um plano municipal. No entanto, ainda é um desafio despertar a consciência das pessoas, mesmo elas sabendo que o lixo deve ser separado”.
Prefeitura
A Prefeitura de Orlândia não respondeu aos questionamentos feitos na última sexta-feira. O G1perguntou como a administração pretende incentivar a separação do lixo reciclável, conforme previsto no Plano Municipal de Gerenciamento Integrado, e se deverá conceder algum tipo de ajuda à cooperativa, após a conclusão do estudo. A assessoria de imprensa informou, na tarde desta terça-feira, que ainda aguardava resposta da Secretaria de Meio Ambiente.
Do G1 Ribeirão e Franca



