
Pedreiros e donos de casas em obras em Franca (SP) reclamam que os furtos em construções tem se tornado frequentes nos últimos meses. Só nesta quinta-feira (17), foram registradas duas ocorrências no bairro São Jerônimo. Na primeira, um pedreiro chegou para trabalhar e notou que haviam levado duas portas e 90 metros quadrados de piso. Na outra, a dona da residência percebeu que os bandidos furtaram o motor da betoneira, uma máquina de cortar piso e 20 metros de fiação. A Polícia Militar confirma a onda de furtos e alerta para que a vida dos ladrões não seja facilitada. Nos últimos três meses, segundo o tenente Jean Gustavo Cintra, foram 27 ocorrências do tipo na cidade.
O pedreiro Antônio Abrili também foi lesado no São Jerônimo. A casa onde trabalha já foi alvo por duas vezes. Ele teve ferramentas levadas e mais de mil reais em prejuízo. Em outra obra, o dono, Wender Cruz, decidiu antecipar a compra do portão, para dificultar a entrada de estranhos. “No caso do portão, resolvi chumbar, ao invés de só fazer a solda, porque a gente corre o risco de ter inclusive o portão levado”. Cruz, que também é pedreiro, evita deixar pisos e revestimentos no local. “Tenho evitado manter estoque”.
Em outro bairro, o Residencial Meirelles, que é novo e tem muitos prédios surgindo, também ocorreram dois casos recentes. O pedreiro Odair Pereira de Souza teve prejuízo de R$ 500 com as ferramentas levadas. Entre elas, estavam uma carriola, enxadas e pás. Depois do furto, resolveu prender alguns instrumentos de trabalho com o uso de correntes, todos os dias antes de deixar a obra. Os mais caros são levados para casa. “Terminando o dia, carrego tudo no carro”.
Na mesma região, que fica a dez quilômetros do centro de Franca, um galpão que deveria ter sido entregue no mês passado atrasou depois que teve a fiação levada por duas vezes. O pedreiro Antônio Carlos da Silva conta que os ladrões costumavam entrar por um dos vitrôs. “A primeira vez, levaram a escada, pás, enxadas, uma colher e a fiação, que foi toda arrancada. Pedimos para a companhia vir colocar, mas, na segunda vez, eles levaram tudo de novo. Agora, temos que contar com a colaboração do vizinho, que empresta energia para a gente trabalhar”.
Os bairros mais afastados do centro são as preferidas, segundo os pedreiros, porque muitos terrenos ainda estão vazios. Isso facilita a vida dos bandidos, que aproveitam o trânsito fácil pelos terrenos baldios e o número pequeno de vizinhos para invadir as obras.
Polícia
O tenente da Polícia Militar Jean Gustavo Cintra reconhece a onda de furtos e diz que a PM procura intensificar o patrulhamento nos bairros mais atingidos. “Com base nas estatísticas, temos feito um remanejamento de viaturas para que elas patrulhem esses locais”.
Segundo ele, a maioria dos crimes está ligada ao consumo de drogas. Materiais como fios e cabos, cimento e telhas são facilmente repassados aos receptadores. Para evitar problemas, Cintra recomenda não deixar ferramentas nas construções e planejar o recebimento de materiais.
Do G1 Ribeirão e Franca



