
Moradores de Jaboticabal (SP) reclamam do abandono constante de animais domésticos pelas ruas da cidade. A vendedora Nilce Belodi, de 57 anos, conta que no último mês, em um único dia, recolheu seis cães doentes, que se juntaram aos que já abriga voluntariamente: dois no sítio de uma amiga, um na casa da mãe e 13 gatos na chácara da irmã. Para Nilce, o problema poderia ser resolvido com a adoção de políticas públicas de controle populacional animal mais eficientes. A Prefeitura informa que realiza trabalho mensal de castração de cães e gatos, além de um programa de posse responsável.
O tema desta reportagem foi sugerido por leitores pela ferramenta de jornalismo colaborativo VC no G1. Você também pode participar enviando sua colaboração. Saiba como clicando aqui.
Nilce conta que encontra pessoas dispostas a ajudá-la no trabalho de recolher, castrar e doar os animais que vivem nas ruas de Jaboticabal. Entretanto, ela diz que, na maioria das vezes, acaba assumindo sozinha as despesas com veterinários, medicamentos, cirurgias e alimentação para os bichos. “Geralmente, pago de R$ 50 a R$ 80 só para castrar, e isso acontece todos os dias. Ninguém tem salário para isso.”
A vendedora afirma, porém, que a maior dificuldade enfrentada por ela é encontrar pessoas dispostas a adotar os animais recolhidos das ruas e, mais do que isso, conscientizar a população sobre não abandonar cães e gatos. “Não dá para levar todos para a minha casa, até porque, nem sempre minhas cadelas aceitam. É preciso um trabalho de conscientização. Não basta só dar água e comida.”
Alguns animais recolhidos por Nilce vão para o Abrigo São Lázaro, do qual a vendedora e mais 12 pessoas são voluntárias. O local é administrado pelo empresáro Ednei Valêncio, de 34 anos, que arrendou o terreno onde foi construído o canil, que abriga 120 cachorros, todos retirados das ruas. “Muitas vezes, eles chegam acidentados e doentes. Depois que se recuperam, a gente organiza feirinhas de adoções e usa o Facebook para conseguir um novo dono”, diz Valencio.
Voluntários reclamam do excesso de animais abandonados nas ruas de Jaboticabal
(Foto: Edinei Valencio)
O empresário afirma que o abrigo é mantido com dificuldade porque sobrevive de doações e também não recebe repasse financeiro do poder público. Os voluntários trabalham, atualmente, para construir um local adequado apenas para gatos. O espaço já foi conquistado, mas ainda falta verba para iniciar a obra.
Políticas públicas existem
Em nota, a Prefeitura de Jaboticabal informou que orienta os moradores a acionarem a Polícia Militar para denunciar casos de abandono de animais, já que se trata de crime, de acordo com a lei federal n.º 9.605/1998.
A administração ainda ressaltou que a Secretaria da Saúde realiza trabalhos de conscientização em escolas e espaços públicos “sobre a importância da esterilização cirúrgica, como ferramenta para o controle populacional” e reforça que “Jaboticabal conta com castrações gratuitas de animais – são realizados 35 procedimentos ao mês.”
A prefeitura informou também que o Canil Municipal conta com 40 animais vítimas de maus-tratos ou abandonado, sendo que 20 deles já foram tratados e estão em condições de adoção. “As Feiras de Adoção acontecem de acordo com a necessidade. Em 2013 foram adotados 21 cães e, em 2014, são 24 até o momento.”
Do G1 Ribeirão e Franca



