
A Agrishow, feira de tecnologia agrícola que termina nesta sexta-feira (2) em Ribeirão Preto (SP), estima movimentar cerca de R$ 3 bilhões em negócios na área do campo. Embalado pelo público masculino que passa pela feira durante a semana está o mercado do sexo na cidade. Não existe uma estimativa oficial que aponte dados sobre a prostituição no período da Agrishow, mas proprietários de casas noturnas e de sites de acompanhantes são unânimes em afirmar que o momento é considerado o de maior faturamento do setor durante o ano.
Uma das pessoas mais otimistas do ramo é o publicitário Cláudio, de 37 anos, administrador de um site de anúncios para garotas de programa. Cláudio conta que metade da renda mensal vem do trabalho que desenvolve na internet, mas, durante a feira, a procura por anúncios – e o lucro – aumentam cerca de 20%. Em abril desse ano, por exemplo, ele calcula ter faturado cerca de R$ 6 mil com esse tipo de publicidade, além do valor cobrado por ensaios fotográficos – feitos por ele e cobrados a parte das modelos que buscam visibilidade.
“Em anos anteriores, cheguei a colocar um aviso no site porque tive muita procura e eu não estava pegando qualquer pessoa, sou muito criterioso. Eu também acho injusto encher o site com outras garotas, sendo que algumas são fixas, anunciam o ano todo. É desleal com elas”, afirma.
A publicidade no setor também ganhou as redes sociais que contam com diversos perfis, onde mulheres oferecem os serviços. Assim como nos sites, nas redes sociais as garotas de programa se exibem em fotos sensuais e junto delas sempre há a descrição das características físicas, além, é claro, do número de telefone para contato.
Taxistas lucram
Nem todos os homens que visitam a Agrishow, no entanto, se preocupam com esse tipo de discrição. Em vez de procurarem por garotas de programa na internet, muitos preferem sair com os amigos da feira, no fim do dia, para beber e relaxar em casas de show ou massagem, como conta um taxista, que prefere não se identificar.

Há 10 anos no ramo, ele conta que também fatura um “extra” no período da feira, por indicação de casas noturnas e garotas de programa aos clientes. Segundo ele, alguns taxistas têm até o que chamam de “cardápio” com fotos e descrições das profissionais dentro do carro, para que o interessado possa escolher onde deseja ir. “Em época de Agrishow, os ‘caras’ sempre procuram os taxistas porque a gente sabe onde indicar.”
Até às 18h de segunda-feira (28), quando começou o evento, ele afirmou ter levado três empresários, um deles estrangeiro, da Agrishow para casas especializadas em Ribeirão Preto. Ainda segundo ele, os estabelecimentos gratificam os taxistas pela indicação: no caso das casas de show, o motorista ganha R$ 20 por cliente indicado, já as casas de massagem pagam cerca de R$ 13.
“A gente deixa o cara lá dentro e recebe na portaria, na saída. Em uma dessas casas, a gente recebe um ticket e pega o dinheiro no caixa. Eles pagam por pessoa, não por corrida. Como geralmente vai uma galera, em duas corridas com quatro pessoas, são R$ 160”, afirma o taxista, destacando que na volta para o hotel, os próprios estabelecimentos possuem vans e carros que fazem o traslado, para garantir a privacidade dos clientes.
Faturamento garantido
Em busca da promessa de ganhos altos, a carioca Dandara, de 26 anos, está em Ribeirão Preto junto de outras duas amigas, também garotas de programa, pela primeira vez. As três anunciaram os serviços em um site de acompanhantes e estão hospedadas em um apartamento particular. “Assim é mais discreto, não precisa ficar se expondo muito, o cliente liga sabendo o que quer”, revela.
Dandara conta que o mercado do sexo sempre fica aquecido em cidades que sediam eventos agrícolas, empresariais e esportivos. Por isso, muitas garotas de programa viajam para esses locais, já que o faturamento é garantido. “Os clientes são fazendeiros, empresários, agricultores, então os programas são mais caros”, diz a jovem, que espera faturar até R$ 10 mil.
Adriano Oliveira Do G1 Ribeirão e Franca



