
Após ser demitido da usina de açúcar e álcool onde trabalhava, o químico industrial Luiz Antônio Lucente, de 53 anos, decidiu investir em uma empresa de reciclagem. Com o tempo, percebeu que os objetos que chegavam até suas mãos poderiam ser revendidos, não pelo valor material, mas pela história que “guardavam”. Hoje, 11 anos depois, Lucente fala com orgulho sobre os 3 mil itens raros que reúne no antiquário montado com o que antes considerava sucata. “Trabalhar aqui é muito mais prazeroso.”

(Foto: Luan Amaral/ G1)
Um ano depois, já próspero nos negócios, o químico começou a notar que muitos objetos antigos e raros eram descartados pela população em meio ao lixo. Apaixonado por história e entusiasmado com cada nova peça encontrada, decidiu comercializá-las separadamente, em um espaço de 20 metros quadrados, erguido ao lado do galpão de sucatas. Não demorou muito para que a fama do “antiquário” começasse a se espalhar.
“Eu comecei a divulgar em jornais e na lista telefônica que comprava peças antigas. Foi então que o pessoal começou a ligar. Toda manhã eu saía à procura desses objetos e a coleção foi aumentando”, conta o empresário. Em quatro anos, o espaço destinado aos objetos já era seis vezes maior que no início e hoje ocupa 200 metros quadrados do galpão. “Invadimos de vez o lugar onde ficam as sucatas”, brinca.
Peças históricas
O antiquário de Lucente pode ser considerado uma viagem ao passado. No local, é possível encontrar telefones com mais de 100 anos, fotos históricas, como a da posse do presidente Getúlio Vargas, louças europeias do século passado, alguns dos primeiros rádios e televisores lançados no Brasil, além de itens curiosos, como um globo terrestre feito de madeira que, na verdade, é um porta-bebidas. Os preços variam de R$10 a R$ 3 mil, e podem ser negociados diretamente com o empresário, que faz questão de ficar todos os dias no local.
Lucente afirma que pretende encerrar o trabalho de reciclagem e ampliar ainda mais o antiquário, não pelo retorno financeiro, mas pelo prazer que sente em trabalhar ali. Segundo ele, não há nada melhor do que o convívio com os clientes e o aprendizado com cada nova peça que chega às suas mãos. “A história dos objetos vende muito mais do que a beleza deles em si. Por isso, tenho que entender de tudo e trabalhar assim é gratificante.”

Do G1 Ribeirão e Franca



