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Confira aqui uma entrevista exclusiva com o DJ Renato Sostena

30/08/2013
em Música
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renato sostena
Ontem o Blog É Show conversou com o DJ Renato Sostena. Ele é de Ribeirão Preto agora, mas ainda tem fortes vínculos com São Joaquim da Barra. Numa conversa animada e cheia de risadas, Renato nos falou sobre o começo de sua carreira, como se apaixonou por música, quais os planos pro futuro e deu até opinião sobre funk carioca. Confira a entrevista na íntegra logo abaixo.

(Blog É Show) Renatão obrigado por dedicar um pouquinho do seu tempo pra mim e te agradecer por essa entrevista que tenho certeza que a galera vai gostar demais

Stenio, eu que agradeço a oportunidade. Seu blog sempre esteve aberto pra mim, você sempre ofereceu essa forma de divulgação. Sua iniciativa está de parabéns.

(Blog É Show) Renato conte um pouco mais pra gente quem é você, onde você nasceu e cresceu, onde estudou, etc

Nasci em Ribeirão Preto, cresci em São Joaquim da Barra. Comecei a tocar em 2006 e o caminho natural era que eu me tornasse residente da Pantheon, o que não se consolidou, apesar das tentativas. Em 2008 fui morar em Bauru pra fazer faculdade de jornalismo e isso influenciou muito na minha carreira de DJ. Tive contato com muita gente de muito lugar diferente, comecei a abrir a cabeça para coisas que tinha preconceito, incluindo maracatú, Lady Gaga e rock gutural (risos).

Apesar de ter tocado em festas grandes da UNESP, era um mundo à parte de Bauru. Acredito que as pessoas de lá nem ouviram falar de mim. Mas tenho certeza que os estudantes que frequentavam as festas de república e até as festas nos grandes clubes de Bauru da época, como a DOLCE, se lembram de pirar com meu som.

Nas festas de república eu pude experimentar como nunca poderia em um clube normal. No ponto alto de uma mixagem de Billie Jean (Michael Jackson) com Bad Romance (Lady Gaga), teve gente que subiu no tanque de lavar roupas pra dançar! Os espaços eram muito pequenos e o sistema de som quase nunca eram o ideal para o local. Mas poder misturar música eletrônica mainstream (sucessos que tocam na rádio) com músicas que ninguém ouviu falar e sentir a reação do público permitiu que eu crescesse muito em termos de feeling e repertório. O pessoal que me ouvia tocar era sempre instruído, intelectualizado e com a cabeça muito aberta para sons novos. Mas sempre tinha um ou outro que pedia funk. Mesmo tendo aprendendo muito, nunca pensei que pudesse parar de pesquisar e aprender para aprimorar.

(Blog É Show) Você se interessou pela música, não especificamente a música eletrônica, com quantos anos mais ou menos? Sua família curte música, tem músicos na família também?

É engraçado falar disso. Minha família ouve música, acho que todo mundo, né? Mas de tocar alguma coisa, só meu irmão, que tocava um pouco de guitarra. E faz muito tempo já. Só depois de muito tempo (já até era DJ), descobri que meu pai brincava de mixar músicas na mesa de som de amigos quando ele era mais novo.

Não sei falar bem com quantos anos eu passei a gostar, a ouvir. Lembro que antes dos meus 7 anos eu ouvia música clássica, por brincadeira. Eu achava que era trilha de filme, ficava brincando com isso. Eu gostava de poder fuçar nas parafernalhas de som que tinham na minha casa, mexer nos botões, ver o que acontecia. Já estraguei muita fita nisso! (risos) Quando o CD começou a se popularizar, meu irmão ganhou um que se chamava TV Dance. Ele era tão excepcional que a primeira faixa você poderia tocar no computador e assistia ao clipe da música! Na época era uma revolução. E aquile estilo ‘dance’ me cativou, vocais as batidas, a pegada dançante.

Daí pra frente posso ser mais exato, no começo dos anos 2000, eu comecei a ter cada vez mais contato com música. E sempre era eletrônica. DJ Ross, Erika, Magic Box, Underdog Project fizeram parte dessa construção. Não posso esquecer de Global Deejays e Groove Coverage. Sempre gostei muito de festa, então ajudava amigos e amigas a organizar baladinhas em casa, eu gravava os cds. Lembro do meu aniversário de 14 anos que até papel selofane na lâmpada eu coloquei, pra ficar igual luz de boate. Quantos aniversários eu ajudei a fazer! (risos) E foi numa ajuda dessas que eu procurei um cara pra tocar na festa de uma amiga. Ele se vangloriou que era DJ, que isso e aquilo. Mas eu ja tinha visto DJS de verdade e não era a mesma coisa. Então resolvi procurar um curso, estudar melhor.

Em 2006, com 16 anos, entrei como amante da música no curso do Christian Stilck em Ribeirão Preto e saí como DJ. Claro que sabia muito pouco, mas tive uma boa base. Em São Joaquim, quem me ajudou muito e ajuda até hoje, e só tenho a agradecer, é o Dj Monkey Mark, um grande amigo. Nessa época, não tive muito apoio da família porque eu estava no colegial, eles se preocupavam com meus estudos e queria que eu fizesse uma boa faculdade.

(Blog É Show) Seu som é um pouco diferente dos outros DJ’S que estou acostumado a ouvir aqui de São Joaquim da Barra, não sei o por que, pois não estou muito por dentro da música eletrônica, mas eu vejo uma diferença boa no seu set.

Como já disse, eu me livrei de muito preconceito saindo de São Joaquim e conhecendo pessoas e lugares diferentes. Isso afetou de certa forma o meu som. Também tenho muitas influências e sempre tento colocar alguma coisa do meu background musical (que não é só eletrônico) nas minhas mixagens.

Além disso, eu acho que cada DJ tem que imprimir certa personalidade nos sets e apresentações. Afinal, quando tá no palco, o DJ não só toca músicas, mas também entretém a pista. Li uma entrevista do FatBoy Slim em que ele diz que o DJ tem que estar 20% mais animado que a pessoa mais animada da pista, sempre. Temos que dar o exemplo ali em cima. Por isso só fico realizado quando não tem ninguém parado.

(Blog É Show) Posso estar enganado, mas que eu me lembre, você foi um dos primeiros DJ’S que surgiu na cidade, quanto tempo você ta trabalhando nessa área? Quem te ensinou as manhas da música?

Se eu puder usar de certa prepotência pra fazer uma análise, eu diria que sou um dos primeiros djs de uma nova geração. A noite de São Joaquim era muito agitada, gente da região inteira vinha para cá nas gloriosas boates como Windows, Opus e mais tarde, Pantheon. E antes de mim, tem toda uma geração de DJs muito bons, com certeza memoráveis. E aqui eu incluo alguns nomes anteriores a mim, não pela idade, mas pela época que pegaram e que me ensinaram muito quando comecei: Monkey, André Leonello, Natália Martins, Mataraia. 

Quando eu entrei na cena, era assim. Já são 7 anos. Lá em 2006, quando fiz o curso com o Christian Stilck. E tocava em casamento, aniversário, formatura, fui fazendo amizade com todos os DJs. Tem muito DJ por aí que é estrelinha, não se mistura com os outros, fica um joguinho de egos e no fim quem sofre é o público, porque não temos o desenvolvimento da cena eletrônica. 

(Blog É Show) Além de DJ, você é professor também em Ribeirão Preto né?

Eu dou aulas particulares de inglês e também trabalho no marketing de uma rede de hotéis.

(Blog É Show) Como acompanho mais o lado sertanejo da música, vejo que a cada dia, surge mais e mais artistas nessa área, e cantores fracos, sem talento nenhum. A música eletrônica também passa por um momento meio conturbado nesses tempos?

Com o fácil acesso à tecnologia, praticamente todo mundo pode aprender música, Na internet a gente pode encontrar aulas, softwares, dicas, tutoriais. E acredito que música é uma mistura de talento e esforço. Também por internet, por meio das redes sociais, é fácil ficar conhecido. Tendo dinheiro você alcança muita gente, aparece na mídia e consegue ser agendado para as festas mais top do país.

Mas ainda bem que chega a hora do vamos ver, onde esses artistas são colocados à prova. E eles tocam, o povo não gosta, a pista desanima, esvazia e eles ganham fama – de ruins. Infelizmente a indústria do entretenimento vive um período de altíssima exposição, então um ex BBB chama mais gente pra uma festa que um DJ com técnica e com repertório. É o caso também do Jesus Luz, que está conhecido no meio como Moisés. Ele foi tocar em um clube e depois de alguns minutos de apresentação, ele foi gentilmente convidado a tocar na pista superior, que era menor. Ou seja: o cara não agradou, a pista estava incomodada e todo mundo percebeu, inclusive o dono do clube que foi fazer o pedido. E um DJ desse que não tem feeling de pista só ficou famoso porque deu uns pegas na Madonna.

Contudo, temos um lado bom nessa história. Muito DJ estoura mundialmente com a facilidade que a tecnologia traz. Eu acho que é questão de foco. Se você entra no mercado com foco na música, você será reconhecido por isso. Se você entra por qualquer outro fator: pela zoeira, pela exposição/fama, pelo status ou pelo dinheiro, acaba vindo a tona uma hora.
(Blog É Show) Qual a música que a galera pede que não pode faltar de jeito nenhum no repertório?

Não tenho uma música específica… eu gosto de muita música que não toca mais e sempre tento colocar alguma coisa ‘das antigas’. Depeche Mode, ou Guetta em começo de carreira com the “World is Mine”, remixes de rock. Mas eu procuro sempre fazer um set atualizado, antenado com o que ta rolando nos festivais pelo mundo. Blue Monday é outra clássica que eu gosto de tocar, assim como “Tung”, do Deniz Koyu.. enfim, são muitas.

(Blog É Show) Vejo muitos DJ’S hoje que tocam muito funk, e muitos que odeiam o estilo. Qual a sua opinião, desse estilo de música estar crescendo tanto nas baladas de classe média e tanto na classe baixa.

O funk carioca é uma manifestação explícita da cultura popular brasileira. Por isso ele é válido, pra afirmar nossa cultura. A música eletrônica é trazida para nós, é importada, não sendo um movimento autêntico do nosso país, apesar de termos vários ótimos produtores atualmente.

O funk importou muita coisa do hip hop americano, inclusive o lance de ter um DJ e um MC (mestre de cerimônias, pra quem não sabe) e curiosamente tem sua base de ritmo em cima de um estilo que chama Marcha-Rancho, que apareceu no início do século XIX, trazido por nordestinos que moravam na zona portuária do rio de Janeiro. Surgido nas favelas e conhecido no resto do mundo como ‘baile funk’ ou como ‘batidão’ o funk carioca é genuinamente uma manifestação de classes mais baixas. Porém a alta exposição na mídia, novelas, etc de alguns artistas como Naldo e Anitta, ou mesmo quando começou a atenuar o conteúdo sexual das letras, com MC Marcinho, trouxe o funk para as cabeças.

Já até fui em balada q toca só funk, não tenho preconceito com o estilo, mas não se encaixa de forma alguma no que eu toco, que é mais melódico, com mensagens alto astral. Querendo ou não, o “funk ostentação” que está na moda é muito pobre em conteúdo ainda. Falta a crítica social do rap para que ele tenha uma força maior culturalmente. É a única crítica que tenho ao funk. Como ritmo, ele é muito contagiante.

(Blog É Show) Fala um pouco pra galera sobre os novos trabalhos que estão vindo ainda pra esse ano, e pro ano que vem.

Se tem uma coisa que eu gosto é de ler. E tenho lido muito pra poder me aprimorar em todos os campos de atuação de um DJ. Confesso que queria ter mais tempo pra aplicar tudo, mas vamos lá. Algumas novidades em primeira mão aqui pro seu blog.

Primeiro, estou mudando meu conceito visual. Meu logo novo já está pronto, já estou usando ele, como vocês podem ver na foto dessa matéria. O antigo era arredondado, não traduzia muito bem o meu som, que está caminhando para uma coisa mais pesada. E no rastro dessa mudança vem por aí: fotos novas, site, material de divulgação. Aguardem, porque não posso dar muitos detalhes das novidades.

Em termos musicais, estou já agregando outros elementos ao meu set, estou começando a usar sintetizador junto às apresentações, estou começando a fazer mais coisa ao vivo. E também tem um projetinho para uma festa que vai acontecer dia 9 de novembro em São Joaquim, que estamos trabalhando junto com músicos. Mas não posso adiantar mais que isso.

(Blog É Show) Falta uma balada TOP em São Joaquim da Barra?

Acho que a história da noite joaquinense daria um bom documentário, mesmo porque está em decadência há alguns anos. A Pantheon tem quase duas décadas de vida e isso é muito pra qualquer casa noturna, que precisa de reforma e renovação total a cada 5 anos no máximo. é um ciclo, as pessoas enjoam do lugar, das luzes. É preciso inovar. O problema de São Joaquim é exatamente o medo em correr esse risco e a mente do público, que está acondicionada ao normal e não aceita mudanças. Precisávamos de uma nova balada, um novo club com um novo conceito. Aberto a diferentes públicos em diferentes dias.. Se quiser fazer uma entrevista somente sobre o que deveria ter nessa casa que falta na cidade, ou o que falta no geral, pode me procurar (risos).

(Blog É Show) Meu amigo queria te agradecer por essa entrevista com você, e te desejar toda a sorte do mundo, porque talento e carisma você tem de sobra. E uma ultima coisa que queria te pedir, é pra você dar algum conselho ou dica pros jovens que tem o sonho que ser DJ também ! Valeu meu velho

Bom, para os aspirantes a DJ eu digo: pesquisem! Na internet a gente pode achar de tudo um pouco. Infelizmente a maioria do conteúdo destinado a djs está em inglês, mas temos alguns bons blogs em português. Não são tão completos, mas já ajudam. Pensar bem, pesquisar, planejar o que você vai fazer. Saiba também que a sua imagem é seu carro chefe, aliado ao som. Se você vai começar uma carreira de DJ, pega uma festa pra tocar, destrói no set e sai carregado de bêbado antes de terminar, saiba que não será chamado novamente. Eu falei sobre foco… tenha o seu na sua música, na sua arte, se apaixone pelo que faz.

Resumindo, é isso. Estou à disposição pra quem quiser falar mais comigo, algum iniciante pedir dica, ou mesmo pra trocar uma ideia. Pode me add no facebook, curtir minha página, ouvir meus sets no soundcloud. (Os links estão ali embaixo.)

E agradeço a você  Stênio, pelos elogios e por ser tão disponível pra criar um canal de comunicação assim, e tá de parabéns. Te desejo sucesso sempre!

https://www.facebook.com/RenatoSostena

https://soundcloud.com/resostenadj

 

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