Após a morte de um menino de 3 anos por suspeita de meningococcemia – infeccção generalizada causada pela mesma bactéria da meningite – na última sexta-feira (9), a Secretaria da Saúde de Sertãozinho (SP) irá bloquear os familiares e cerca de 20 crianças que estudavam no mesmo colégio da vítima. A partir desta segunda-feira (10), todas as pessoas que tiveram contato com o garoto deverão iniciar o tratamento com antibióticos para evitar a proliferação da doença.
O caso está sendo investigado pelo departamento de Saúde, que também abriu uma sindicância para apurar a conduta do médico que atendeu o garoto um dia antes da morte, na tarde de quinta-feira (8), na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Jardim Alvorada. A secretária da Saúde, Rita Montenegro, explicou que o diagnóstico apontado pelo médico no prontuário é de amigdalite.
“O prontuário diz que a mãe buscou o menino na escola a pedido da direção, e ela informou que a criança estava com febre há duas horas. O médico passou um antitérmico, disse que poderia ser um processo viral e falou para retornar, caso algo acontecesse”, diz.
Na sexta-feira (9), por volta das 7h, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi acionado para comparecer na casa da família. “Quando eles chegaram, constataram que o menino estava em óbito e em estado cadavérico rígido. É provável que ele tenha morrido de madrugada”, conta a secretária.
Segundo Rita, o corpo da criança foi encaminhado ao Serviço de Verificação de Óbito do Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP), onde foram constatados sinais de infecção generalizada. “Ele tinha síndrome adrenal aguda e, pelos sinais [manchas] que ele apresentava no corpo, é bem provável que fosse meningococcite. A doença é provocada pela mesma bactéria da meningite, mas, no caso da criança, ela entrou na corrente sanguínea, o que caracteriza um quadro muito mais grave”, detalha.
Bloqueio
Mesmo sem a comprovação da doença, Rita explica que a Secretaria da Saúde é obrigada a fazer o bloqueio dos comunicantes, ou seja, daqueles que mantiveram contato íntimo ou prolongado com a vítima.
“São familiares, crianças que tenham brincado na vizinhança e crianças da creche em que o menino estudava. Como temos tempo hábil para fazer o bloqueio, de 48 até 72 horas após o óbito, pegamos a relação de todos da creche o nos reuniremos na segunda-feira para conversar com os pais e tranquilizá-los.”
A medicação é feita de acordo com o peso de cada comunicante, explica a secretária. “As crianças tomam medicamento líquido por 48 horas, num total de quatro doses. A orientação é que os pais observem por 10 dias. Se apresentar algum sintoma nesse período, ela será acompanhada”, explica. Os familiares e pessoas da vizinhança que tiveram contato com o menino já começaram a ser medicados.
Investigação
A Prefeitura também investigará se a conduta do médico que atendeu a vítima foi correta. “Vamos conversar com ele para saber se, dentro dos padrões que a criança apresentava, houve alguma falha nas anotações. Também vamos conversar com a mãe porque, se houve algum tipo de problema, teremos que tomar providências com relação a este profissional”, afirma Rita.
A secretária destaca, porém, que os prontuários do Programa de Saúde da Família no qual a vítima estava inserida trazem informações de que o menino apresentava problemas de saúde com frequência. “Ele mora em uma área muito carente e pelos prontuários apresenta um histórico de vários problemas. Levaremos tudo isso em conta nas investigações.”
Fernanda Testa
Do G1 Ribeirão e Franca



