
O momento é de queda generalizada na produção industrial brasileira, mas o empresário Erno Barbosa da Costa, especializado na produção de sementes em Ribeirão Preto (SP), parece viver uma situação contrária. Com uma margem de crescimento de 50% no primeiro semestre deste ano em relação ao ano passado, ele simboliza a boa fase da indústria agropecuária na região, mesmo diante de uma conjuntura econômica desfavorável para outros setores como, por exemplo, o de máquinas e equipamentos e construção civil. “Estamos em um bom momento, apesar de o país estar com uma série de problemas”, disse Costa, que comemora a alta demanda por itens como trigo, soja e principalmente feijão.
Para o diretor regional do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), Guilherme Feitosa, casos como o citado acima são reflexo da demanda por alimentos em países em desenvolvimento como China, Índia e Rússia. ”Existe ainda demanda forte por alimentos, não só no nosso mercado, como também nos mercados emergentes internacionais. Isso faz com que as commodities agrícolas tenham preços melhores”, afirmou.
Além disso, ele também atribui o crescimento à evolução dos investimentos que o segmento agroindustrial realizou em inovação. “A indústria agrícola vem há um bom tempo investindo em inovação, em produtividade, aumentando sua área plantada. Temos que cada vez mais focar nisso para ganhar competitividade.”
Exemplo dessa constatação, Barbosa da Costa pretende colocar no mercado novas variedades geneticamente modificadas, como o feijão-dama, com 50% mais ferro que o convencional, e o feijão-gol, que demora 70 dias para ser produzido. ”A iniciativa privada investiu na pesquisa de sementes, em melhoramento genético, irrigação. O segmento de grãos está bom. Já temos bastante venda para o ano que vem, devido à produtividade e à qualidade do produto.”
Crescimento anual
Evidenciando a boa fase das indústrias voltadas para o setor agropecuário, o gerente geral de uma indústria de fertilizantes de Jardinópolis (SP), Gustavo Branco, confirma que a necessidade por alimentos no exterior tem impulsionado um crescimento anual de 15% desde 2009 na empresa em que trabalha. Além do mercado interno, Argentina, Paraguai, Bolívia e Uruguai estão entre os importadores do fertilizante. “O Brasil tem se tornado cada vez mais um país com característica de atender essa necessidade e o fertilizante é cada vez mais bem visto”, disse.
Do G1 Ribeirão e Franca



