
Pacientes de Sertãozinho estão sendo obrigados a esperar até um ano na fila para fazer o exame de ressonância magnética pelo Sistema Único de Saúde no município. Sem realizar o procedimento, as pessoas não podem começar o tratamento e algumas foram obrigadas a abandonaram o trabalho por causa das dores que sentem. A prefeitura diz que fez um novo contrato e que os atendimentos deverão ser normalizados em até três meses.
A Secretaria de Saúde da cidade admite que existem mais de 100 pessoas esperando pelo exame. Em outubro do ano passado a clínica contratada pela Prefeitura parou de agendar as ressonâncias porque a quantidade de pacientes atendidos já tinha chegado ao limite do que previa o contrato. Desde então, apenas cinco procedimentos deste tipo por mês, custeados pelo SUS, são feitos em Sertãozinho.
“Quando nos recebemos a Secretaria a gente tinha essa dívida para acertar com essa prestadora de serviços. Primeiro a gente precisou acertar essa dívida, terminar o prazo de contrato, que foi até março para a gente poder fazer uma nova contratação de acordo com os critérios estabelecidos pelo Tribunal de Contas”, afirmou a assessora administrativa da Secretaria de Saúde, Rita de Cássia Bisson.
“Esse contrato deve entrar em vigor já na semana que vêm. Ele foi assinado agora e as pessoas vão começar a ser atendidas de acordo com a lista de prioridades, os médicos vão seguir um protocolo clínico, ele vai ser passado para uma central de regulação, o médico vai dar prioridade de acordo com cada caso. Então a gente pretende atender toda aquela demanda que ficou do ano anterior, cerca de 100 casos para ressonância e a gente acredita que isso seja atingido dentro de 2 a 3 meses, para regularizar o nosso atendimento deste ano”, garantiu.
Uma boa notícia para pessoas como a dona de casa Maria da Consolação Fernandes, que aguarda a ressonância desde março de 2012. Ela diz que um desgaste nos ossos da coluna provoca dores constantes.
“Dei entrada [no pedido de ressonância] e estou aguardando. Tinha 250 [pessoas] na minha frente e eles só atendem cinco pacientes por mês. Eu tenho um desgaste muito grande [na coluna] e o médico acha que ele ficou maior, pode ser o caso de eu fazer cirurgia. Eu acho uma falta de vergonha, de respeito com as pessoas, com o ser humano”, relatou.
A faxineira Célia Roseli Arantes deu entrada no pedido pra fazer o exame em março, por causa de fortes dores no joelho. Ela não vê a hora de começar a fazer o tratamento para poder voltara a trabalhar. “Eu fazia faxina, caminhava, cuidava do meu serviço tranquila, agora eu não faço mais nada. Eu não consigo subir um degrauzinho, eu tenho que por sempre a perna esquerda primeiro para depois por a direita porque senão eu caio. Já três vezes eu quase caí no circular. Para quem tinha a atividade que eu tinha, agora eu estou parada. Se eu soubesse o que é [o meu problema] eu já poderia estar tratando e poderia até ter voltado a trabalhar”, conclui.



