Fernando Galvão (DEM), prefeito eleito de Bebedouro, afirmou à Justiça Eleitoral que gastou apenas R$ 267.575,10 na campanha eleitoral de 2012. No Site do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), consta que o candidato declarou ter arrecadado R$ 270.075,10.
Os números declarados por Fernando Galvão mais uma vez destoam da realidade, pois ficou claro para todo o mundo a campanha milionária que ele realizou e, ao declarar que gastou apenas R$ 267.575,10, o candidato abre brecha para suspeitas de uso de caixa 2.
Durante a campanha, o advogado Luís Cláudio Mariano, amigo íntimo de Fernando Galvão e que acompanhou bem sua campanha, para tentar defender seu amigo diante do fato de um assessor de Galvão ter riscado o carro da proprietário de “O Jornal”, afirmou que mais de 100 pessoas trabalhavam na campanha de Galvão e que seria difícil controlar o que cada um faz.
Realmente a percepção foi de que mais de 100 pessoas trabalharam na campanha de Galvão, mas o interessante é que apenas 65 pessoas aparecem na prestação de contas. Na última semana de campanha, suspeita-se de que aproximadamente 300 pessoas estavam trabalhando, agitando bandeiras, abordando pessoas nas ruas ou passando de moto com bandeira, mas, por incrível que pareça, esse volume assustador de pessoas que tomou conta da cidade, não aparece na prestação de contas do candidato do DEM.
Outra suspeita é que nas despesas não encontramos nenhum gasto referente à aquisição de pesquisas. De onde saiu o dinheiro para pagar as tão alardeadas pesquisas que a campanha de Galvão utilizava para tentar justificar que estavam com ampla vantagem? Do caixa oficial não saíram. Será que saíram de um possível caixa 2? De algum lugar saiu dinheiro para pesquisa, pois nenhum instituto trabalha de graça e tal fato só amplia as suspeitas sobre se Fernando Galvão incluiu todos os seus gastos na prestação de contas feitas à Justiça Eleitoral.
É sempre bom lembrar que Uéber Gamboni, proprietário do jornal Cidade Viva News, um dos jornais onde Galvão publicou as pesquisas que ele contratou, afirmou, ao comentar o fato de que seu jornal estava publicando a referida pesquisa, que estava a serviço de Fernando Galvão, como poderia em outras oportunidades estar a serviço de outros candidatos.
O interessante da história é que Uéber Gamboni aparece na prestação de contas de Fernando Galvão recebendo apenas R$ 270. Como é possível que uma edição que cobriu a cidade inteira com jornais tenha custado apenas R$ 270? Quem pagou pela pesquisa publicada por Uéber Gamboni e que beneficiou Fernando Galvão?
O juiz eleitoral Angel Tomas Castroviejo e o promotor eleitoral Fábio Constantini poderiam fazer a gentileza de descobrir essa informação e partilhar a resposta com a comunidade.
A possibilidade de que Fernando Galvão tenha omitido muitos dos seus gastos com campanha fica evidente se levarmos em conta que Gustavo Spido, que fez uma campanha pobre se comparada à de Galvão, declarou que gastou R$ 158.132,75. Enquanto raramente se via a campanha de Spido na rua, pois a mesma contou com poucas colaboradoras e material de divulgação, a campanha de Galvão se via à exaustão, com quase duas centenas de moças na rua, inúmeras placas e cavaletes (sem contar as 3 trocas de modelos nos mesmos), além de carro de som e material impresso. Dessa forma, se Spido gastou R$ 158 mil, Galvão pode ter gasto 10 vezes mais e a estimativa que se faz é que a campanha de Fernando Galvão possa ter custado no mínimo R$ 1,5 milhão e não os R$ 267.575,10 declarados.
Não surpreende a prestação de contas de Galvão levantar suspeitas, pois logo na declaração de bens o candidato já mentiu à Justiça Eleitoral, chegando ao cúmulo de afirmar que a casa onde está instalado o seu escritório de advocacia, que fica na rua São João, na área central da cidade, vale apenas R$ 20 mil, quando segundo os corretores, vale no mínimo 15 vezes esse valor. Pelo visto é grande a possibilidade de que Fernando Galvão, que começou a campanha mentindo na sua declaração de bens, tenha terminado a campanha mentindo, agora na prestação de contas à Justiça Eleitoral.
O “O Jornal”, que acompanhou a campanha de Galvão e reuniu documentos e fotos, vai entrar com uma representação na Promotoria Eleitoral solicitando a abertura de um inquérito para apurar a estranha prestação de contas do candidato Fernando Galvão (DEM).
Fonte: O Jornal Bebedouro




