
Um morador de Franca (SP) de 84 anos, que não se lembra de onde nasceu, tem o sonho de tirar um documento de identidade. Severino Sebastião Francisco, que não tem certidão de nascimento e nunca conseguiu tirar um RG (Registro Geral), possui como único documento legível uma certidão de alistamento militar tirada em Caruaru (PE) em 1953, já gasta pelo tempo e que atesta a sua idade. “Não lembro nada não”, diz.
O idoso vive sozinho em um cômodo nos fundos da casa de Iraci da Silva Prates, mulher que conhece há 40 anos, do tempo em que trabalhou com o pai dela em Campo Mourão (PR). Segundo ele, tudo que se lembra sobre sua infância é que aos 8 anos ficou órfão e que aos 10 foi trabalhar na roça para sobreviver. “Acho que o pai dele nunca o batizou nem o registrou”, disse Iraci.
Por causa da falta de um documento de identidade, ele já passou por situações difíceis, como ter atendimento médico negado em hospitais. “Ele não teve internação. A assistente social disse que ele não existe. Fiquei sentida por ela falar desse jeito”, afirmou Iraci.
Defensoria Pública
Foi Iraci quem recentemente procurou a Defensoria Pública no município para tentar solucionar o problema do amigo. O órgão chegou a enviar um ofício para Caruaru (PE), mas recebeu como resposta uma negativa de qualquer registro referente a Severino, de acordo com o defensor público Mário Eduardo Bernardes.
Segundo ele, a Defensoria encaminhou ao Ministério Público uma proposta de ação judicial para requerer um registro civil para Severino. “Eventuais testemunhas serão arroladas e o documento mínimo, esse certificado do Exército, vai ser a prova que vai permitir com que o juiz autorize”, afirmou.
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Do G1 Ribeirão e Franca



