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Células-tronco humanas podem restaurar a memória

12/08/2012
em Tecnologia
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Na semana passada, uma empresa de biotecnologia da Califórnia anunciou que suas células-tronco humanas restauraram a memória de roedores criados para ter uma condição semelhante ao mal de Alzheimer – a primeira evidência de que células-tronco neurais podem melhorar a memória.

A empresa, chamada StemCells, está apostando que sua preparação exclusiva de células-tronco de tecido cerebral fetal assumirá diversas funções no sistema nervoso central. A empresa e seus colaboradores já demonstraram que o seu produto com células-tronco tem o potencial para proteger a visão em olhos doentes, atuando como células de suporte do cérebro, ou melhorar a capacidade de locomoção em roedores com lesão medular.

Esta capacidade metamórfica não é tão surpreendente – afinal, são células-tronco. Mas especialistas dizem que a qualidade dos cientistas envolvidos na StemCells e as propriedades interessantes de suas células definem a empresa. ‘Eles têm sido realmente firmes no trabalho para obter essas células em ensaios clínicos. Esse é um caminho difícil e eles conseguiram isso’, disse Larry Goldstein, pesquisador de células-tronco neuronais e diretor do programa de células-tronco da Universidade da Califórnia em San Diego.

A empresa descobriu a técnica de isolamento das células a partir de tecidos cerebrais em 1999, e já investiu cerca de US$ 200 milhões no aprimoramento da tecnologia. ‘Agora estamos realmente na fase emocionante, pois estamos olhando para os dados clínicos humanos, e não somente os dados dos animais de pequeno porte’, disse Martin McGlynn, diretor executivo da StemCells.

Sua empresa não é a única que está levando células-tronco à clínica. Enquanto muita atenção foi dada à empresa Geron por ser a primeira a realizar tratamentos com células-tronco embrionárias, muitos outros grupos deram prosseguimento às suas terapias com células-tronco não embrionárias para leucemia, colite, acidente vascular cerebral, entre outras. Enquanto isso, a empresa Advanced Cell Technology continua suas terapias com células-tronco embrionárias para a cegueira, sediadas no Reino Unido.

As células-tronco não embrionárias podem vir de várias fontes – medula óssea, sangue, bem como por doações de tecidos fetais abortados, como é o caso da StemCells e da Neuralstem, outra empresa focada em células-tronco neurais. Recentemente, os cientistas também desenvolveram métodos para transformar células adultas normais em células-tronco (as chamadas células-tronco pluripotentes induzidas), mas a sua segurança ainda tem que ser testada em seres humanos.

A StemCells não está sozinha, mas pode estar na liderança. Um dos primeiros estudos humanos da StemCells envolveu um pequeno ensaio com crianças com uma doença neurodegenerativa rara e fatal, chamada doença de Batten. Em 2006, a empresa começou o primeiro teste com células-tronco neurais autorizado pela Administração de Alimentos e Medicamentos dos EUA, na Universidade de Saúde e Ciência do Oregon. Através de pequenos furos no crânio, um neurocirurgião implantou até 1 bilhão de células-tronco neurais em diferentes locais do cérebro de seis pacientes com Batten. 

O estudo sugeriu que as células são seguras e se integraram no cérebro. Primeiramente, as crianças receberam medicamentos que suprimem o sistema imunológico para prevenir uma rejeição das células pelo corpo. Mas depois de um ano, o tratamento foi interrompido. ‘A grande dúvida para nós, para a ciência e para a Administração de Alimentos e Medicamentos, era: o que aconteceria com essas células quando a imunossupressão fosse retirada?’, disse McGlynn.

O tratamento, no entanto, não salva as crianças dos efeitos da doença, e algumas não resistiram. Alguns dos pais das crianças que faleceram deram permissão para uma autópsia, permitindo que os cientistas descobrissem que mesmo após 1 ano e meio sem imunossupressão, as células transplantadas sobreviveram. A empresa queria tentar a terapia celular em crianças em uma fase mais precoce da doença, mas não conseguiu encontrar pacientes qualificados nessa fase da doença e cancelou a pesquisa.

Em um outro pequeno estudo, as células demonstraram a capacidade de fazer alterações funcionais no cérebro humano. Na Universidade da Califórnia, São Francisco, quatro crianças com uma doença genética que impede o cérebro de produzir mielina – uma bainha isolante nos neurônios que é necessária para uma sinalização elétrica adequada – receberam o tratamento celular.

No estudo da StemCells, três dos meninos tratados tiveram ganhos pequenos, mas mensuráveis, na função neurológica, enquanto a quarta criança permaneceu estável. Exames de ressonância magnética indicam que os neurônios dos meninos ganharam mais bainhas de mielina, que permaneceram mesmo após a remoção da imunossupressão.

A empresa também iniciou testes em pacientes com lesões na medula espinhal e degeneração macular, uma doença do olho que destrói gradualmente a visão central. Seu teste em pacientes com lesão medular, sediado na Suíça, começou em 2011 na Universidade de Zurique e tem até agora três pacientes inscritos, dois dos quais relataram mudanças na sensibilidade ao toque.

Cada um dos pacientes recebeu um transplante direto de 20 milhões de células-tronco para a medula espinhal. No mês passado, a empresa também anunciou o início de um tratamento para a degeneração macular relacionada à idade, para a qual não existe atualmente nenhum tratamento aprovado pela Administração de Alimentos e Medicamentos. Um estudo da Fundação da Retina do Sudoeste de Dallas vai testar as células-tronco nos olhos de até 16 pacientes.

Mas, mesmo com anos de dados laboratoriais sólidos e inícios promissores em humanos, o sucesso não é garantido.

‘Os animais só nos informam um subconjunto’, disse Goldstein. ‘Quem sabe o que vai funcionar para cada doença? Quando você começa os estudos clínicos com pessoas, tudo pode acontecer.’

The New York Times

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