
O filho de uma idosa de 85 anos registrou um boletim de ocorrência (BO) em que denuncia o descaso no atendimento à mãe, Leonildes Petean Carnim, que morreu na semana passada, depois de esperar mais de 24h por internação hospitalar em Ribeirão Preto. O registro ocorre na mesma semana em que uma mulher de 29 anos morreu após esperar 2h por ambulância.
O filho de Leonildes, Carlos Alberto Petean Carnim, 52, afirmou que vai levar a denúncia ao Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) e acionar a Justiça contra a prefeitura. Carnim disse que a mãe ficou das 12h30 do dia 10 de julho até quase o final da manhã do dia 11 na UBDS da Vila Virgínia, depois de ter sofrido uma queda em casa e ter batido a cabeça. “Eles fizeram um raio-X, colocaram ela no soro porque tinha muita dor na cabeça e deram remédio para estômago, mas não pediram mais exames até o dia seguinte”, contou. Carnim disse que um médico da UBDS chegou a afirmar para ele que não era para se preocupar. “Disse que não era nada sério, só um tombinho”.
Tomografia
No dia 11, depois de outro médico avaliar o estado da paciente e ver que era grave, foi pedida uma tomografia, feita no hospital Santa Lydia, no fim da manhã. A paciente ainda voltou para a UBDS da Vila Virgínia antes de ser encaminhada para a Santa Casa, onde já chegou em estado grave, com necessidade de cirurgia.
“O laudo da tomografia mostra que ela tinha uma hemorragia grande”, ressaltou Carnim. Segundo ele, não foi informado em qual momento foi pedida a vaga para a internação. “No pedido de raio-X o médico solicita o exame dizendo que não tem evidência de fratura”.
Saúde diz que procedeu corretamente
O setor de comunicação da Prefeitura de Ribeirão Preto disse, por meio de nota, que a paciente Leonildes Petean Carnim foi prontamente atendida e que o médico adotou as medidas de investigação de consequências do trauma e a manteve em observação. A nota, no entanto, não diz por que o pedido de tomografia só foi feito no dia seguinte, nem o horário em que foi pedida a vaga hospitalar para a regulação médica.
Segundo a nota, as medidas de observação clínica e tratamento sintomático foram compatíveis com o ambiente pré-hospitalar e, a partir do momento em que se definiu o diagnóstico e a conduta, a paciente foi prontamente transferida para o ambiente hospitalar, onde receberia o tratamento complementar.
A família, porém, afirmou que Leonildes passou mais de 24h aguardando transferência e exame de tomografia, que a Saúde disse que providenciou prontamente.
Fonte: A cidade



