
O júri popular do empresário Pablo Russel Rocha, acusado de arrastar até a morte uma mulher em 1998 em Ribeirão Preto (SP), foi cancelado. A sessão que estava marcada para as 10h desta quinta-feira (17) foi interrompida pelo advogado de defesa Sergei Cobra Arbex, que já no início do julgamento reclamou da maneira como a Justiça conduziu o caso.
Diante dos jurados, o advogado fez críticas ao andamento do processo, principalmente com relação às provas anexadas, e disse que pretendia entrar com uma representação no Conselho Nacional de Justiça. Um novo julgamento foi marcado para 23 de agosto em Ribeirão.
Arbex afirmou que sua estratégia foi prejudicada porque o juiz Luís Augusto Freire Teotônio negou a utilização de novas provas no julgamento, alegando perda de prazo. “Não podia tomar essa decisão nessa fase do processo, porque o juiz [Teotônio] está perseguindo de forma acintosa o réu”, disse.
O advogado tinha a intenção de usar mapas, fotografias ampliadas e ilustrações da perícia, além da caminhonete dirigida por Rocha no suposto crime, para reproduzir diante dos jurados o que, segundo ele, realmente aconteceu: a vítima ficou acidentalmente enroscada no cinto de segurança.
Outro ponto questionado por Arbex é o fato do despacho, impedindo as provas, ter sido feito por Teotônio, que não presidiu o júri de Pablo – o julgamento ficou a cargo do juiz José Roberto Bernardi Liberal, da Vara do Júri e Execuções Criminais deAraraquara (SP).
Outro lado
O promotor José Vicente Pinto disse que a atitude de Arbex é uma estratégia da defesa para colocar os jurados contra o juiz, sugerindo que houve perseguição. “Tudo isso já foi discutido no processo, por isso a demora de 14 anos. A discussão inclusive foi feita no STF”, disse.
O caso
Pablo Russel Rocha é acusado de arrastar até a morte Selma Heloísa Artigas da Silva, garota de programa conhecida como Nicole. Segundo a acusação, a vítima estava com o réu dentro da caminhonete dele e após uma discussão entre os dois, ela teria ficado enroscada no cinto de segurança no momento em que tentou sair do veículo.
Com a vítima presa na caminhonete, Pablo teria dirigido por cerca de dois quilômetros na Avenida Caramuru, Zona Oeste da cidade. O Ministério Público pede a condenação do empresário, que responde em liberdade por homicídio triplamente qualificado, após ficar por dois anos e dois meses preso.
Do G1 Ribeirão e Franca



