
Pressionados pela insatisfação da população, os vereadores voltaram atrás e reduziram, na noite de ontem, o reajuste no subsídio da próxima legislatura para 17,93%. A votação ocorreu 33 dias depois de terem aumentado os próprios salários em 39,8% – o que gerou uma série de protestos no Legislativo e no Centro de Ribeirão Preto, desde então.
Com o novo percentual, o salário da próxima legislatura ficará em R$ 10.953, ao invés dos R$ 12.991 que alcançaria. Entretanto, a redução de R$ 2 mil mensais por parlamentar não calou o Movimento do Panelaço, que defende a fixação do subsídio atual de R$ 9,2 mil.
[Após protestarem por quase duas horas, manifestantes distribuíram pizzas no estacionamento da Casa de Leis, no final da sessão, que também teve discussão entre o presidente Cícero Gomes (PMDB) e a vereadora Silvana Resende (PSDB). Apresentado na última semana, o projeto de Silvana, que previa a permanência do subsídio atual foi avaliado como inconstitucional pela Comissão de Justiça, que considerou a competência da matéria privativa à Mesa Diretora.
O parecer foi lido pelo chefe do Legislativo, após uma reunião que durou mais de uma hora e excluiu apenas a tucana. Momentos antes da reunião, com nove votos contrários, o plenário negou pedido de urgência de Silvana para votação de sua proposta. Após declarar que o projeto da vereadora seria anexado ao apresentado pela Mesa Diretora ontem, Cícero disse que o texto da tucana “não valia nada”.
A vereadora, que defende que a competência não é privativa da mesa, ocupou a tribuna na sequência para lamentar a “manobra”. “O que não é proibido, é permitido. Meu projeto teria de ser votado antes. É uma clara manobra”, frisou.
Novo índice
Apenas Silvana Resende foi contra o novo projeto, que não recebeu o voto de Samuel Zanferdini (PMDB) e Cícero Gomes. Gilberto Abreu (PV), autor da iniciativa, disse que os 17,93% são apenas a reposição da inflação pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo) entre janeiro de 2009 e março de 2012. “Foi o consenso da maioria. Não é um aumento, é uma reposição. Bastante aceitável, no meu ponto de vista”, enfatizou, lembrando que o subsídio dos vereadores estavam congelados desde 2008.
Panelaço distribui pizzas
Após protestarem por quase duas horas durante a sessão, integrantes do Movimento do Panelaço distribuíram pizzas no estacionamento da Casa de Leis em alusão ao ditado de que “tudo na política acaba em pizza”. Os cerca de 100 mobilizados não aceitaram o novo reajuste. “R$ 9,2 mil é mais do que suficiente. Não aceitamos nenhum reajuste”, declarou a massoterapeuta Sandra Maria Vilela. “Não vamos descansar, vamos trabalhar contra eles até as eleições. Representamos a voz do povo”, disse a auxiliar de enfermagem Eduarda Pinto Martins.
Mais uma vez, a falta de resposta ao pedido de uso da tribuna protocolado no Legislativo irritou o grupo que, munido de cartazes e faixas, gritou frases como “Ribeirão acordou, seu sustento acabou” e “Para de enganar, deixa o povo falar”.
Fonte: Monize Zampieri ( Jornal A Cidade)



