Os familiares de três pacientes que morreram entre fevereiro e março após buscar atendimento na UBS do Jardim Aeroporto em Franca, interior de São Paulo, registraram boletins de ocorrência por omissão de socorro no local. Os parentes das vítimas culpam o hospital pelas mortes.
A dona de casa Adriana Rosa Evangelista levou o pai, que tinha 58 anos e estava com a pressão alta, até o local na madrugada de 15 de fevereiro. Segundo Adriana, ao chegar na unidade de saúde, que deveria funcionar 24 horas por dia o local estava fechado e uma enfermeira avisou através de um vidro quebrado que não havia médico para prestar atendimento. No local, apenas um copo d’água foi oferecido ao paciente.
Após constatar a falta de ambulância no hospital, Adriana levou o pai no próprio carro até o Pronto-Socorro Janjão, onde mesmo com o atendimento imediato o homem faleceu.
Cinco dias depois, a dona de casa Rosimeire Cristina Damasceno, que tinha 44 anos e era diabética, foi levada por três dias seguidos até a unidade de saúde com dores nas costas e na barriga.
Segundo o marido da paciente, Roberto de Freitas, nos dois primeiros dias sua esposa foi medicada e liberada, mas no dia 18 de fevereiro Rosimeire precisou ser transferida para o Centro de Tratamento Intensivo (CTI) da Santa Casa, por volta das 18h, onde morreu durante a madrugada.
O filho de Antonio Donizete de Castro, de 52 anos, Diego Antonio de Castro acusa enfermeiras da UBS de agredirem seu pai, que era alcoólatra, com chutes após ele cair da maca na sexta-feira (2). “Ele foi atacado, inclusive moralmente, pois elas o chamavam de bêbado”, afirmou.
Castro, que foi levado ao local por volta das 10h, teve seu quadro agravado após as 17h e morreu. “Meu pai foi vitima de omissão e também de discriminação”, disse Diego.
Outro lado
A equipe do Jornal da EPTV procurou a Prefeitura de Franca, mas ninguém quis gravar entrevista. Em nota, a assessoria de imprensa da Secretaria de Saúde negou que o paciente Antonio Donizete de Castro tenha sido agredido, mas afirmou que ele precisou ser contido por enfermeiros por estar agressivo.
Ainda segundo a nota, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado para transferir Antonio para a Santa Casa. A Secretaria alegou desconhecer os outros dois casos.
Fonte: G1 Ribeirão e Franca



