Dia do grunge. Dia do revival dos anos 1990. Dia da lama. Dia de carros atolados no estacionamento. Dia em que Peter Gabriel pediu desculpas ao Ultraje a Rigor.
E se o fato marcante do domingo foi a briga entre Peter Gabriel e Ultraje a Rigor, no dia seguinte o músico britânico divulgou um pedido de desculpas à banda brasileira. Responsabilizou um técnico de sua equipe pela confusão que teve até troca de socos no palco.
Mas o dia foi, também, de conhecidas bandas roqueiras. Como o Black Rebel Motorcycle Club, que fez seu primeiro show no Brasil. A banda dosou bem momentos lentos, densos, com outros enérgicos e tomados por hits.
O trio irlandês Ash também estreou em solo brasileiro. Agradaram ao relembrar hits dos anos 1990, como “Girl from Mars”, “Kung Fu” e “A Life Less Ordinary”.
Teve até sangue. Phil Anselmo (que ficou conhecido como vocalista do Pantera), bateu tanto o microfone contra a testa que abriu um buraco na cabeça. Valeu pela performance.
Um dos momentos emocionantes da segunda-feira foi o show do Sonic Youth, uma das principais bandas alternativas do rock. Guitarras distorcidas, microfonias e barulho à exaustão foram os ingredientes da apresentação – que pode ter sido a última do grupo, já que o guitarrista Thurston Moore e a baixista Kim Gordon se separaram.
A veterana banda Primus acertou em misturar rock progressivo com um potente baixo suingado. O baixista Les Claypool é um exímio músico, e usa seu virtuosismo a serviço do bom andamento do show.
O Stone Temple Pilots iniciou a sessão grunge da noite. A banda tocou faixas de seus discos “Core” (1992) e “Purple” (1994), mas começou o show de forma burocrática. O clima só melhorou a partir da segunda metade da apresentação, quando o entusiasmo do público parece ter motivado os músicos.
As guitarras pesadas e lentas do grunge continuaram a ser ouvidas na extensa apresentação do Alice in Chains. Mas o grupo mostrou que não conseguiu superar a morte do vocalista Layne Staley (morto em 2002). Seu substituto, William DuVall, não tem carisma suficiente para fazer os fãs esquecerem de Staley.
Com intromissões literárias e participação do coral de crianças de Heliópolis, o Faith No Moreencerrou a terceira noite de apresentações do SWU 2011. Como era certo, a banda mais aguardada da noite não precisou se esforçar para agradar aos presentes com hits como “Epic” e “Easy”. Um encerramento luxuoso.
Fonte: IG – Thiago Ney, enviado a Paulínia



