Um rodeio clandestino, realizado em Serrana está sendo denunciado por maus-tratos aos animais em vídeos na internet. Segundo uma pessoa que viu o rodeio, os animais estavam fracos e machucados. Os organizadores não têm alvará para funcionamento.
Um dos vídeos foi gravado no dia 24 de outubro. De acordo com uma testemunha, um dos bois estava com um machucado profundo na barriga. Cerca de 20 animais estavam magros e sujos e apanhavam com pedaços de ferro e vara de choque.
Uma pessoa que pediu para manter a identidade em sigilo afirma que o rodeio aconteceu durante todo o mês de outubro, aos fins de semana, mas a arena ainda está armada de forma improvisada, na avenida Deolinda Rosa, na entrada da cidade. A cerca que separa os bois do público é feita com paus amarrados com cordas bambas. Não há arquibancada. Segundo a denunciante, as pessoas que assistiam aos rodeios, entre elas, crianças, ficavam debruçadas sobre a cerca e ajudavam a bater nos bois com paus.
O procurador da Prefeitura de Serrana, João Marcel Dias Mussi, afirmou que o pedido de alvará foi negado porque é proibida a montagem de uma arena de rodeio na avenida. “Nem cheguei a pedir os outros documentos necessários porque o local já invalidava o alvará”, afirma.
Segundo Mussi, um fiscal da prefeitura foi até a arena, mas quando chegou não havia atividade e ninguém foi autuado. No local, há uma placa com o nome dos organizadores. Sem se identificar, a reportagem entrou em contato com um homem chamado Wilson, que confirmou o rodeio, sem informar as datas.
“As pessoas olham e acham que é violento. Mas nós cuidamos dos nossos animais como se fossem humanos”, afirma o organizador. Segundo ele, os rodeios têm entrada gratuita. Wilson admitiu que uma vara de choque é utilizada, mas apenas para fazer com que os animais subam no caminhão.
Organizador se cala
Na tarde de domingo (13), a reportagem do jornal A Cidade voltou a entrar em contato com Wilson, no telefone que está afixado na arena. Ele, porém, se negou a dar informações. “Não tenho que te dar explicação. Se o juiz ou alguém competente, formalizado, um órgão que cuide desse setor me chamar, a quem de direito, eu vou prestar esclarecimento”, afirmou.
Wilson também não quis comentar quando os rodeios foram realizados e se há previsão de mais algum. “Por telefone eu não converso.” O organizador do rodeio também não se pronunciou sobre a alegação que os animais seriam maltratados no rodeio.
Choque gera polêmica entre especialistas
Segundo o advogado de Barretos, Luiz Francisco de Almeida, a vara de choque é permitida apenas para embarque e desembarque do animal no caminhão. “O choque é de até 12 volts e não traz dano para o animal”, afirma. Segundo ele, porém, é proibido bater no animal com qualquer tipo de objeto. No entanto, a advogada da ONG Associação Vida Animal (AVA) de Ribeirão Preto, Viviane Rodrigues Alexandre, é contra o choque. “Independente de qualquer cuidado, o boi sofre durante um rodeio.”
De acordo com os advogados, para montagem de um rodeio é necessário ter uma guia emitida pela Secretaria da Agricultura para transporte do animal, alvará da Prefeitura e do Corpo de Bombeiros. Além disso, não é permitido o uso de espora com ponta e o sedém, amarrado na virilha do animal para ele pular, deve ser feito de algodão.
Quem pratica maus-tratos a animais pode ser punido com multa, que varia de acordo com a gravidade do caso, ou até mesmo ser preso.
Veja vídeo sobre o rodeio clandestino:
Fonte: Jornal A Cidade



