Boa parte dos termos usados no mundo corporativo foram incorporados da língua inglesa e acabaram se tornando usuais nos corredores das empresas. Apelidado de “corporativês”, essa linguagem misteriosa para o cidadão comum pode pregar peças em muitos profissionais.
Termos como workshop, networking e know-how já soam bastante comuns, mas surgiram no ambiente empresarial. Muitas são incorporadas por significarem um conceito amplo em português e, na ausência de uma palavra correlata, usa-se o termo estrangeiro.
Os profissionais devem estar atentos a eles, já que entendê-los acaba sendo uma das exigências da carreira, afirma Mário Persona, professor e consultor de estratégias de comunicação e marketing: “Todo profissional deve conhecer o vocabulário do segmento onde atua, porque há diferenças entre as áreas. Alguém que trabalhe no mercado financeiro terá um vocabulário diferente de alguém de qualidade ou marketing, por exemplo. O profissional tem obrigação de dominar os termos relacionados à sua área, em especial aqueles em outros idiomas”.
Ler artigos de profissionais da área ajuda bastante. Como no aprendizado de qualquer língua, a melhor forma de se familiarizar com as novas palavras é ouvi-las atentamente e buscar compreender seu significado. Ou seja, ter vergonha de perguntar aos outros não irá facilitar em nada sua vida. E, ao se informar, você diminui as chances de cometer um erro capital: falar complicado e, ainda por cima, errado.
Estar a par dos termos usados no ambiente corporativo é necessário, mas é preciso cuidado. Para especialistas em recursos humanos, nada é pior do que lançar mão de palavras pouco usuais somente para impressionar os ouvintes e esquecer do real sentido de cada expressão. Falar bem definitivamente não é sinônimo de falar difícil.
É importante adequar a linguagem usada ao momento e ao ambiente. Se estiver com pessoas de outras áreas, com entendimento menor do assunto ou de escolaridade mais baixa, é preciso que o profissional faça adaptações na linguagem para que seja entendido por todos.
“É claro que nem sempre podemos evitar que leigos participem como ouvintes de um diálogo que deveria ser entre pares. Mas comunicação é uma ferramenta e quem realmente domina o assunto é capaz de traduzir bem o que diz para cada audiência. Obviamente sempre há aqueles que avaliam o livro pela capa e esperam ouvir algum estrangeirismo como forma de avaliar se o outro é do mesmo time. O bom comunicador deve ser capaz até de identificar esse tipo de pessoa”, diz Mário Persona.
O consultor de comunicação empresarial Gustavo de Matos, autor do livro “A Cultura do Diálogo”, afirma que o profissional não pode deixar a linguagem corporativa se tornar um idioma oficial e que é necessário bom senso na hora de se comunicar. “É totalmente desproposital numa conversa com amigos utilizar jargões e termos do meio corporativo. Revela o perfil de uma pessoa tecnocrata, pouco criativa e condicionada a reproduzir discursos sem sentido. Duvido muito das lideranças que costumam utilizar frases do tipo: ‘Precisamos de maior approach para agilizar o processo e otimizar os resultados'”.
Proteção à Língua Portuguesa
Fora do mundo corporativo, o debate sobre o tema também é intenso. No final de 2007, a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania da Câmara dos Deputados aprovou um projeto de lei para proibir o uso de palavras estrangeiras em meios de comunicação, documentos oficiais, peças publicitárias e letreiros de estabelecimentos comerciais.
A proposta levanta muitas discussões, pois esbarra na percepção de estudiosos da língua de que é justamente esse intercâmbio lingüístico que torna a língua mais rica. Para o consultor Gustavo de Matos, os estrangeirismos não podem ser vistos como uma ameaça: “A língua se enriquece continuamente, seja através do uso que se faz dela, seja agregando expressões e conteúdo novos, que não existiam em seus primórdios”.
O consultor Mário Persona lembra que, ao vetar estrangeirismos para manter o idioma intacto, precisaríamos eliminar também palavras que já foram agregadas, o que seria um problema. “Deveríamos parar de pedir pizza no restaurante. Já incorporamos os verbos deletar e zipar, porque isso é muito mais fácil do que dizer remover e compactar. No inglês, já se usa o verbo ´to google´, e nem por isso Shakespeare se revirou no túmulo. Não é possível acreditar que vamos viver em um mundo globalizado sem que ocorra uma amalgamação dos idiomas. Algo como aquelas massinhas coloridas de modelar que, de tanto brincar, você termina com uma massa cinza. Sim, ela é mais feia do que as coloridas originais, mas esse foi o risco que você correu ao colocá-las em contato”, conclui.
Dicionário do corporativês:
Approach – Abordagem
B2B – Sigla para “business to business”. São negócios feitos apenas entre empresas
B2C – Sigla para “business to customer”. Negócio de empresas que vendem diretamente para o consumidor por meio da internet
Benchmarking – Análise de outras empresas para avaliar estratégias que deram certo e incorporá-las em sua organização
Board – Conselho diretor de uma empresa
Brainstorm – Seria, ao pé da letra, o mesmo que “tempestade cerebral”. O termo é usado para designar uma reunião onde todos falam suas idéias, mesmo que estas não estejam ainda bem estruturadas
Branding – É a construção de uma marca
BRIC – Sigla criada pelo banco Goldman Sachs que representa as iniciais dos países emergentes que podem se tornar potências econômicas do século: Brasil, Rússia, Índia e China
Broadband – Banda larga. A internet de conexão rápida
Budget – Orçamento
Business Plan – Usado na tradução literal: plano de negócios
C2C – Sigla para “customer to customer”. É quando o negócio é feito pela internet entre dois consumidores, como acontecem em sites como Ebay ou o brasileiro Mercado Livre.
Case – É o estudo de um caso, como uma campanha publicitária, uma estratégia de marketing bem sucedida, um sistema de gestão empresarial
Cash – Dinheiro vivo
CEO – Sigla para “chief executive officer”. É o principal executivo da empresa. O termo pode substituir o uso de presidente, mas há empresas em que os dois cargos existem
Chairman – Treinamento de um funcionário promovido pela empresa
Commodities – Produto primário, geralmente com grande participação no comércio internacional, normalmente agrícola ou mineral
Consumer understanding – Entender seu público-alvo, conhecer seus clientes
Core business – O principal negócio da empresa
Counseling – Aconselhamento de carreira
Country-manager – Diretor-geral de uma empresa em determinado país
Deadline – Prazo limite. Data, dia ou hora, em que alguma coisa precisa ser dada como terminada ou liquidada
Downsizing – Corte no quadro de funcionários da empresa
Dumping – Prática comercial na qual uma empresa decide vender seus produtos por preços muito abaixo do mercado por um período, com o objetivo de prejudicar a concorrência. É um termo usado em comércio internacional e é reprimido pelos governos nacionais, quando comprovado
Endomarketing – Área ligada à comunicação interna da empresa, que une técnicas de marketing a conceitos de recursos humanos
Expertise – Conhecimento técnico
Factoring – Prática de algumas empresas que consiste em comprar cheques pré-datados de lojistas cobrando comissão
Feedback – É uma conversa com o objetivo de avaliar resultados do empregado
Follow-up – Análise dos resultados de uma tarefa. Acompanhamento de ações e campanhas de marketing, com o objetivo de aferir seus resultados.
Forecast – Previsão
Gap – Intervalo
Headhunter – Pessoa que descobre novos talentos, profissionais promissores
Holding – Empresa criada para controlar a gestão de um grupo de empresas.
IPO – Primeira oferta de ações de um empresa na Bolsa de Valores
Intranet – Rede de comunicação interna e exclusiva das empresas
Join Venture – Associação de empresas para explorar determinado negócio. De caráter não definitivo, nenhuma das empresas participantes perde sua personalidade jurídica
Know-how – Conhecimento
L.L.M – Sigla de Master of Laws. Mestrado em direito
Market share – Fatia de mercado
MBA in company – MBA oferecido pela empresa dentro de seu próprio espaço físico
MBA – Sigla Master in Business Administration. É um curso que equivale à pós-graduação em administração de empresas
Merchandising – É um forma de promover um produto ou serviço usando espaços na programação regular da televisão, mídia impressa, cinema e outros.
Newsletter – Boletim de notícias
Outsourcing – Terceirização
Overhead – Despesas operacionais
P & D – Pesquisa e desenvolvimento
Players – Partes de um negócio, sejam empresas ou executivos
ROI – Return of Investiment – Tempo necessário para o retorno do investimento
Sales manager – Gerente de vendas
Skill – Competência, habilidade
Spread – Taxa de risco
Start up – Início da operação
Stand-by – Em espera
Target – Alvo
TI – Sigla em português para tecnologia da informação
Top of Mind – O produto mais lembrado espontaneamente pelos clientes
Trend – Tendência
Turnover – Rotatividade de funcionários dentro de uma empresa, medida pela média de pessoal que se mantém fixa na companhia
Workaholic – Pessoa viciada em trabalho
Fonte: iTodas



