O promotor de Justiça Roberto Tardelli, responsável pela condenação durante o júri do caso Suzane Richthofen, disse nesta segunda-feira (27) que nada no processo levanta desconfiança sobre uma suposta participação no crime de Astrogildo Cravinhos, pai dos irmãos Cristian e Daniel, também condenados pelo assassinato. “Não há nas páginas do processo nenhuma linha, letra, nada que autorize a gente a concluir que o senhor Astrogildo tenha alguma participação nesse crime”, afirmou Tardelli.
O promotor de Ribeirão Preto Eliseu Berardo Gonçalves, acusado de assédio sexual por Suzane, diz que, durante um depoimento, ela afirmou que foi o pai de Daniel e Cristian Cravinhos quem planejou o assassinato do casal Richthofen, ocorrido em 2002. O relato teria ocorrido há três anos, mas só foi revelado agora. “Segundo ela, o dia, o local, o horário, a maneira de execução, foi tudo planejado pelo seu Astrogildo Cravinhos”, afirmou o promotor em entrevista ao Fantástico.
Tardelli acompanhou o caso desde o início e diz que a presa nunca disse algo parecido durante todo o processo. “Em nenhum momento a Suzane fez ainda que fosse uma insinuação. Seu Astrogildo é uma pessoa que, na minha concepção, é vítima também. Ele tem os dois filhos presos. É uma afirmação solta sem nenhuma sustentação probatória”, defende o promotor. Apesar disso, ele diz não ter ficado surpreso com o novo relato. “Surpreendente dela nada é. Ela tem capacidade de criar situações, é uma habilidade que desenvolveu. É curioso como ela consegue sempre ser assunto”, disse.
Eliseu Berardo diz que Suzane citou o nome de Astrogildo numa declaração, depois de condenada. Foi em janeiro de 2007, numa das duas vezes em que ela esteve com o promotor para falar sobre ameaças que estaria recebendo na prisão. Segundo o Berardo, Suzane afirmou que o pai dos irmãos teria, inclusive, confeccionado os instrumentos utilizados no crime – o casal foi morto a golpes de barras de ferro.
O promotor que acompanhou o processo diz que Daniel Cravinhos desenhou para a delegada do caso o esquema do porrete usado nos assassinatos. Além disso, o preso teria contado detalhes do material. Tardelli cita que o ex-namorado de Suzane tem uma “extraordinária habilidade manual”, adquirida na confecção de aviões de aeromodelismo.
Suzane acusa o promotor Eliseu Berardo de assédio sexual e ele está suspenso do trabalho por 22 dias, sem receber. Ele nega ter se apaixonado pela presa. “Não, isso é uma inverdade. A minha consciência está absolutamente tranquila, a sociedade pode confiar em mim em absoluto, que eu trabalho e honro a instituição.”
A defesa de Astrogildo Cravinhos foi feita pela advogada Gislaine Jabour, que representa os irmãos. “A mentora intelectual do crime foi a Suzane, isso já foi provado em juízo, tanto que ela está condenada, cumprindo pena”, disse. Suzane e os irmãos Cravinhos estão presos em Tremembé, no interior do estado. O advogado de defesa de Suzane, Denivaldo Barni, disse que não fará comentários sobre o caso.
Fonte: G1/EPTV



