O delegado aposentado da Polícia Federal Onézimo de Souza confirmou aos deputados e senadores da Comissão Mista de Controle de Atividades de Inteligência que foi procurado por um grupo responsável pela campanha da candidata do PT à Presidência da República, Dilma Rousseff, para prestar serviços de espionagem contra o candidato do PSDB, José Serra.
A comissão convidou o delegado para esclarecer matéria publicada pelo jornal O Estado de São Paulo, segundo a qual Onézimo de Sousa teria se reunido com o então assessor da campanha de Dilma, Luiz Lanzetta, para tratar de supostas investigações sobre José Serra. De acordo com informações publicadas pela imprensa, Luiz Lanzetta deixou a campanha de Dilma após a denúncia.
Segundo o delegado aposentado da Polícia Federal, a oferta foi recusada por ele, que negou ter informações privilegiadas dos serviços de inteligência para produzir um dossiê contra o tucano José Serra.
Onésimo de Souza se tornou dono de uma empresa de segurança privada depois de se aposentar da Polícia Federal e disse que o disfarce proposto para a sua atuação seria a prestação de serviços de proteção à casa utilizada como comitê eleitoral do PT, no valor de 10 parcelas de 160 mil reais.
O depoimento do delegado foi solicitado pelo deputado Gustavo Fruet (PSDB-PR), para investigar o uso indevido da máquina pública na produção de dossiês sobre adversários políticos.
O deputado José Genoíno (PT-SP) reagiu às declarações de Onézimo de Souza e disse que a Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência não é o espaço para alimentar brigas eleitorais.
Já o vice-presidente da comissão, deputado Emanuel Fernandes (PSDB-SP), disse que o objetivo é apurar se há interferência de empresas privadas de espionagem nas atividades oficiais de inteligência do País.
De acordo com o delegado aposentado, o encontro com o grupo da campanha de Dilma Roussef teria sido articulado pelo ex-sargento da Aeronáutica Idalberto Matias de Araújo, que também foi convidado a comparecer à audiência da comissão, mas não respondeu o convite. A oposição pretende ouvir em nova audiência o ex-sargento.
A comissão mista pediu informações à Aeronáutica sobre a data em que o sargento Idalberto deu baixa do serviço de inteligência. Se a reunião com o PT tiver ocorrido quando ele ainda era servidor público, o convite de depoimento pode se transformar em convocação.
O senador Álvaro Dias (PSDB-PR), afirmou que é preciso punir atos ilegais dos partidos.
Fonte: Ribeirão Preto Online



