
Sabe aqueles momentos em que você se imagina no futuro? Pois é, o simpático carrinho branco e vermelho à direita já me fez imaginar — cheio de orgulho — como será contar para os meus filhos e netos a experiência de dirigir um dos modelos que poderá abrir as portas para os automóveis elétricos no Brasil. Em regime experimental, para começar a lidar com alguns processos de homologação e trazer a tecnologia para mais perto dos brasileiros, a Mitsubishi trouxe ao país uma unidade do i-MiEV, compacto movido somente por eletricidade e já comercializado no Japão.
Apesar de já tê-lo por aqui, ainda vai levar um tempo para encontrarmos o i-MiEV nas concessionárias da Mitsubishi. “Para você ter uma ideia, nós não temos por aqui nem procedimentos estabelecidos para a homologação de veículos elétricos. Além disso, eles são tributados de uma forma diferente, o que inviabiliza a sua importação no momento”, explicou Fabio Maggion, supervisor de engenharia da empresa. “Por isso mesmo, o nosso objetivo ao trazer o i-MiEV para cá é justamente criar as condições, inclusive com relação ao governo, para viabilizar os elétricos no Brasil. Se tudo correr bem, para 2012, pretendemos ter algumas unidades do i-MiEV rodando com empresas interessadas e, por volta de 2014 ou 2015, iniciar a comercialização para o público em nossas concessionárias”, completou Maggion.
Mesmo no mercado japonês, o i-MiEV é caro e custa pouco mais de US$ 40 000, sendo que, cerca de 50% desse preço, será destinado a arcar com os custos da bateria principal de 330 V feita com compostos de lítio. Em tempos de maior preocupação com o ambiente, a administração do país asiático oferece uma série de subsídios que fazem o valor do i-MiEV cair para algo em torno de US$ 25 000. Mesmo assim, é bom destacar que o conjunto de 88 células de lítio dura 10 anos e, após esse período, é preciso trocá-lo por completo.
Infelizmente, o i-MiEV ficou restrito à pista de testes, não sendo possível circular pelo trânsito urbano. Mesmo assim, ele surpreendeu pela agilidade nas respostas. O propulsor elétrico entrega 64 cv, mas o que o deixa bem interessante é o torque de 18,3 mkgf, já disponível a partir do momento em que a corrente elétrica lhe é fornecida.
Para quem acha que um carro elétrico não oferece muito prazer ao dirigir, saiba que a força de um propulsor 1.8 no i-MiEV o faz disparar com vontade. Mas é justamente nessa hora que as principais diferenças aparecem. Em primeiro lugar, não há ruído nenhum do motor e o câmbio, com apenas uma marcha à frente, torna as acelerações extremamente suaves e progressivas até a velocidade máxima, limitada em 140 km/h.
Se descarregada totalmente, a bateria do i-MiEV leva 14 horas para ter a carga máxima de 16 kW.h quando conectada a uma tomada residencial de 110 V, ou sete horas em uma saída de 220 V. Contudo, como ela não possui efeito memória, é possível “abastecer” o i-MiEV no momento mais conveniente. Para os mais apressados, existe um aparelho chamado Quick Charger, o qual lembra o formato de uma bomba de combustível, capaz de deixar a bateria com 80% da carga total em apenas 30 minutos.
Levando em conta o preço do kW.h a R$ 0,30, “encher o tanque” do i-MiEV sairia por R$ 4,80 e você ainda nem precisa sair de casa para fazê-lo. Muito bom, não é? Segundo o cálculo da Mitsubishi, um elétrico como o i-MiEV chega a oferecer uma economia de R$ 0,19 no custo por quilômetro em relação a um concorrente a gasolina ou etanol. Completamente carregado, o i-MiEV é capaz de rodar 160 quilômetros.
Porém, para termos essa conveniência por aqui precisaremos de uma boa ajuda das esferas administrativas. A Argentina já deu um bom exemplo e reduziu a taxa de importação de 35% para 2% nos veículos “ecológicos”. Resta torcer para que o Brasil siga o mesmo caminho. Dessa forma, os nossos filhos e netos só terão a nos agradecer.
Fonte: Carro Online (César Tizo)



