Amanda Pioli
Do G1 Ribeirão e Franca
Uma suposta dívida de R$ 342 mil acumulada pela Prefeitura de Morro Agudo (SP) com uma empresa de ônibus tem gerado incertezas sobre o transporte dos universitários para faculdades da região. A Viação Transoper, responsável pelo serviço, informou que as viagens estão suspensas enquanto as parcelas referentes ao período de maio a agosto desse ano não forem quitadas. A administração, por outro lado, nega os atrasos e alega que está dentro do prazo para quitar as parcelas.
No meio do embate ficam os estudantes, que foram surpreendidos na última quarta-feira (10), com novas empresas realizando o transporte. O jovem Rafael Fernandes contou que os ônibus foram solicitados em caráter de urgência pela Associação Estudantil e, por isso, os motoristas não sabiam os itinerários, o que causou atrasos e transtornos aos alunos. “Foi um caos total. O pessoal saiu às 19h, que é o horário em que deveriam chegar nas faculdades, e chegaram de volta à cidade por volta de 1h”, afirmou.
Fernandes destacou que o clima de incerteza teve início na terça-feira (9), quando o gerente administrativo da Transoper, Rodrigo Finocchio, aproveitou o embarque dos estudantes para comunicar sobre o atraso no pagamento e alertar que o serviço estava sendo “cortado” por tempo indeterminado. Desde então, os cerca de 700 universitários estão sendo transportados por três empresas contratadas em caráter emergencial – até sexta-feira (12), as despesas estavam sendo assumidas pela Associação Estudantil.
Dívida antiga
Por telefone, o gerente financeiro da Transoper, Antônio Sérgio Quaresemin, explicou que, além dos pagamentos atrasados desde maio, a Prefeitura deve à empresa R$ 78,7 mil referente a um saldo remanescente que deveria ter sido quitado em 2012. Quaresemin afirmou que no dia 8 de agosto protocolou um documento informando a administração que o serviço seria interrompido, caso as dívidas não fossem pagas, uma vez que a viação está enfrentando dificuldades para pagar fornecedores por conta dos atrasos.
Quaresemin garantiu ainda que a medida não caracteriza quebra de contrato. “Nós estamos agindo de acordo com a legislação. A gente não está recusando fazer o transporte, mas precisa do pagamento para poder quitar as dívidas. Eu estou com uma duplicata de R$ 90 mil com um fornecedor de diesel. A qualquer momento, ele também vai parar de me abastecer”, disse o gerente.
Dentro do prazo
O secretário de Governo, Paulo Fernando Vianna de Carvalho, admitiu a existência da dívida, mas alegou que a Prefeitura ainda está dentro do prazo estipulado no contrato de licitação para acertar as contas. “Estamos devendo julho e agosto. Algumas duplicatas, não todas. Eu vou pagando, estou sempre pagando, toda semana. Estamos devendo em torno de R$ 300 mil, mas ele não pode parar os ônibus”, justificou o secretário.
Carvalho disse que a Viação Transoper ganhou uma nova licitação para continuar realizando o transporte dos universitários no próximo ano. Entretanto, o contrato – que ainda não foi homologado – não deve ser assinado por causa do episódio. “Eu não posso fazer outro contrato, se ele acabou de quebrar um, é ilegal”, explicou.
Ainda segundo o secretário de Governo, as empresas convocadas provisoriamente assinarão um contrato emergencial com a Prefeitura para prestar o serviço de transporte aos universitários pelos próximos 30 dias. A medida deve evitar que os estudantes sejam prejudicados. “Vamos entrar na Justiça para regularizar essa situação.”




