Enquanto as demais montadoras despejavam novidades no mercado, a Yamaha andava meio devagar com os lançamentos, praticamente quase parando. Com a última novidade datada de 2011, na época a Ténéré 660, uma pergunta passou a ser recorrente no meio: “Quando a montadora japonesa faria algum lançamento expressivo no Brasil?” O primeiro passo veio no ano passado com a Fazer 150 e, neste ano, a marca apresentou um modelo que veio, mais uma vez, para incomodar a concorrência, a XTZ 150 Crosser. Uma motinho com cara de aventureira, porém, concebida com DNA urbano.

E a bem humorada propaganda do modelo deixa isso bem claro. Vemos uma figura em zoom do que parece ser a encosta de um morro, mas ao passo que vamos afastando a imagem, identificamos um buraco no asfalto (como os tantos que topamos diariamente) junto da seguinte frase: “para algumas motos isso é um desfiladeiro, para a Crosser, é apenas um buraco no asfalto”. E foi aí que a Yamaha acertou com sua proposta: uma moto com design jovem e desenvolvida exclusivamente para o mercado brasileiro, levando em conta nosso asfalto esburacado e até mesmo a falta dele.
A Crosser é oferecida nas versões E e ED partindo de R$ 9.050, um preço salgado à primeira vista, mas que é justificado pelo conjunto. O design está bem acima da média dos modelos da categoria, as cores são modernas, o cuidado com o acabamento é evidente, a ergonomia é ótima, o motor está bem acertado e ainda é econômico. Convenceu?
Bicombustível, o monocilíndrico é o mesmo da recém-lançada Fazer 150, dotado de injeção eletrônica que gera 12,2 cv na gasolina e 12,4 cv no álcool. A marca reforça que o sistema que permite o uso de gasolina, etanol ou mistura em qualquer proporção, mas nos dias frios em que fiquei com o modelo (abastecido apenas com álcool) ela pedia por alguns litrinhos de gasolina para que o motor pudesse trabalhar redondo.
O motor praticamente não vibra, é bem silencioso e trabalha de maneira linear, mas a força é limitada, dentro do esperado para o segmento de 150 cc (sou eu quem estou mal acostumada!). Em suma, o desempenho é suficiente para cumprir deslocamentos urbanos, isso apenas com o piloto, já com garupa ela precisa se esforçar um pouco mais.
O câmbio de cinco velocidades tem engates suaves e precisos, mas o destaque fica mesmo para o sistema de suspensão e amortecimento. Bem acertada, ela conta com garfos de 180 mm na dianteira e monoshock com link na traseira, que absorve bem os impactos do terreno e não transfere as “pancadas” diretamente ao condutor.
Nas curvas, a Crosser mostrou ótima estabilidade e até surpreendeu. Levinha – são apenas 120 kg de peso seco – ela mostrou ciclística de sobra, com trocas de direção bem ágeis. Agora, um ponto que exige atenção são os freios. Avaliamos o modelo ED, com freio a disco na dianteira, e mesmo assim deve-se apertar o manete de freio com (muita) vontade para a moto parar. A impressão é que ela não quer morder o disco e isso quer dizer que, em uma situação de emergência, se não acionar o traseiro ela não vai parar onde você deseja. Ou seja, se equipada com disco é assim, imagine a versão de entrada que conta com freios a tambor? Uma dica: se você considera comprar a Crosser 150, invista mais R$ 300 pelo modelo ED que não irá se arrepender.
Posição ideal
Além do freio a disco na dianteira, a versão ED conta com ajuste do guidão, que o posiciona um pouco mais para frente, caso o piloto tenha braços mais compridos. A posição de pilotagem é muito confortável, a motinho encaixa bem entre as pernas e a menor altura do banco favorece quem não tem grande estatura. Aliás, o banco em dois níveis oferece apoio para a lombar, tem bastante espuma e ainda deixa o garupa em posição mais elevada, possibilitando maior visibilidade para quem vai atrás.
Como ela é magrinha, vai bem no corredor, no entanto, o guidão parece ter sido ajustado exatamente para a altura da maioria dos retrovisores, o que exige muito mais atenção. Se ele fosse pouca coisa mais estreito, seria melhor.
Cantadas no semáforo
A Crosser 150 é uma moto bonita, que chama atenção. Na dianteira, um bico vazado posicionado sob o farol dá o toque estético, enquanto o para-lama curtinho e funcional fica mais para baixo, rente a roda – sua principal rival da Honda, a Bros 150, possui um pala-lama mais alto e comprido, como nas motos de cross. Na dianteira a roda é maior, de 19 polegadas, enquanto na traseira o modelo é equipado com roda de 17 polegadas, ambas raiadas e calçadas com pneus de uso misto.
Na lateral, destaca-se o escapamento, posicionado em ângulo bem acentuado. O tanque possui carenagens e entradas de ar funcionais, enquanto a tampa, embora destoe pela simplicidade, não é elevada e tem o bocal seguindo a mesma linha do tanque. O bagageiro robusto conta com interessantes alças de apoio em alumínio e pode carregar até 7 kg.
De fato, a Yamaha acertou no design e fechou com chave de ouro na escolha das cores do modelo. São oferecidas três variações de cor, branco com azul, laranja com preto e cinza com verde, a mais bonita na minha opinião. Nas paradas de semáforo, só dá ela. “Bonita, né? É 250 cc?”, me perguntam os novos amigos que pilotam na maioria das vezes uma CG.
A impressão de que a Crosser é uma moto de maior porte, porém, deve-se muito ao acabamento esmerado. O painel, super completo, tem conta giros analógico e um visor LCD digital com fundo vermelho. Há indicador de marchas, marcador de combustível, velocímetro, hodômetro parcial e total. O cuidado com os detalhes também está nos piscas, brancos e não amarelos como de praxe.
Eu vim para incomodar
A chegada da Crosser é motivo de preocupação para a Bros 150, que custa praticamente a mesma coisa que a novidade da Yamaha (R$ 9 mil) e reinava praticamente sozinha no segmento. E é bom mesmo a Honda abrir os olhos. Mais bem acabada, com conjunto mecânico confiável e mais bonita, a Crosser tem todos os atributos para tirar o sono de sua rival oriental. E nós achando que a Yamaha estava dormindo no ponto…
YAMAHA XTZ 150 CROSSER ED |
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|---|---|
| DADOS TÉCNICOS | |
| Preço | Tipo de chassi |
| R$ 9.050 | Berço semi duplo |
| Motor | Comprimento x largura x altura |
| 4 tempos/SOHC/2 válvulas/ refrigerado a ar | 2.050 mm x 830 mm x 1.140 mm |
| Cilindrada | Pneu dianteiro |
| 150 cc | 90/90-19 M/C |
| Potência Máxima | Pneu traseiro |
| 12,4 cv a 7.500 rpm (etanol) 12,2 cv a 7.500 rp (gasolina) | 110/90-17 M/C |
| Torque Máximo | Peso seco |
| 1,29 kgfm a 6.000 rpm (etanol) 1,28 kgfm a 6.000 rpm (gasolina) | 120 kg |
| Sistema de partida | Cores |
| Elétrica | Cinza grafite, branco e laranja |
| Combustível | Capacidade do tanque |
| flex | 12 litros |
Karina Simões – IG Carros



