
em salas de aula (Foto: Carlos Trinca/ EPTV)
Um grupo de professores fez um protesto na manhã desta quinta-feira (11) na porta da Escola Municipal de Educação Infantil (Emei) Maria Helena Braga Monte Serrat, emRibeirão Preto (SP). Segundo os educadores, as salas de aula estão superlotadas, já que o número de estudantes em algumas classes chega a 32, quando o ideal seria 15. Avisados pelos professores de que algumas turmas foram fechadas, cerca de 50 pais de alunos foram até a unidade de ensino nesta manhã, e as atividades foram suspensas.
Em nota, a prefeitura informou que a denúncia de superlotação é “infundada” e que irá registrar um boletim de ocorrência para dar andamento ao caso, porque dois professores tentaram impedir a abertura dos portões e o funcionamento da escola.
Segundo a professora Ana Maria Olimpia, cerca de 10 professores participaram da manifestação nesta manhã. O grupo alega que a prefeitura fechou algumas classes, o que acabou superlotando as turmas. “Essa ideia de juntar as classes é para economizar. A Prefeitura não quer contratar professores e nem construir escolas. Eles estão mandando os professores das salas fechadas para outros lugares”, afirmou.
Ana Maria afirma que os pais concordaram com a manifestação feita nesta quinta-feira, porque têm a mesma preocupação com as crianças e com a educação que recebem. “O aluno não consegue nem andar pela sala e o professor mal pode dar aula para tantas crianças. Nós tivemos uma conversa com os pais sobre a situação e eles mesmos decidiram levar os filhos embora”, diz.
A professora diz que será realizada uma assembleia entre professores para debater e reivindicar a qualidade da educação. “Somos nós que ficamos com os alunos o dia inteiro e sabemos quais são as principais dificuldades dentro de uma sala de aula”, diz Ana Maria.
A dona de casa Franciele Morais Ferreira, mãe de uma aluna de 3 anos diz que está preocupada com a situação. “Uma professora não tem como cuidar de 32 alunos dentro de uma sala de aula. As salas são pequenas e as crianças necessitam de cuidados. Nós pais nos recusamos a deixar nossos filhos nessas condições. Enquanto quiserem fechar sala, não vamos deixar as crianças entrarem”, disse.
Para Tamires Montalvão, também mãe de aluna na escola, a situação é de indignação. “Onde já se viu uma sala que tem 15 alunos, dobrar para 25 ou 30. Não queremos isso. Não tem lógica uma criança de 3 anos ficar com 30 alunos da idade dela e uma professora. Uma criança dessa idade corre, empurra, pode se machucar e só tem uma professora para cuidar”, critica.
Em janeiro deste ano, a Prefeitura de Ribeirão foi alvo de uma liminar por causa de irregularidades na Educação. Em sua decisão, o juiz Paulo Cesar Gentile proibiu o Executivo de utilizar estagiários em substituição aos professores e o obrigou a abrir novas salas sempre que houvesse matrículas em número superior a 15% do limite estabelecido pelo Conselho Municipal de Educação.
Sobre a manifestação desta quinta-feira, a prefeitura informou, em nota, que a diretora da escola foi impedida de abrir os portões por dois professores e que irá registrar boletim de ocorrência para dar “encaminhamento correto ao caso”. Ainda segundo a nota, os professores que bloquearam a entrada chegaram a “incitar os pais e mães” a retirarem seus filhos da escola durante a manhã desta quinta.
O Executivo classificou a denúncia de superlotação como “infundada”. O número de alunos, segundo a Prefeitura, é previsto em deliberação do Conselho Municipal de Educação e pode ser reajustado em 25%, de acordo com liminar expedida pelo juiz Paulo César Gentile, para atender a demanda reprimida. A nota diz ainda que o percentual não foi atingido, mas não cita o número de alunos que ocupa as classes.
Do G1 Ribeirão e Franca



