por João Renato Alves – Van do Halen

(lançado em 1º de outubro de 1984)
Após construir uma carreira sólida com seus primeiros discos, os Ramones resolveram experimentar diferentes sonoridades. A aproximação com o Pop até rendeu alguns resultados interessantes, mas desagradou a ala mais radical dos seguidores da banda. Sendo assim, a retomada que se ensaiou em Subterranean Jungle se concretizou em Too Tough To Die. Não sem antes uma necessária mudança na formação. Envolto em problemas com o alcoolismo, Marky Ramone foi convidado a se retirar. Em seu lugar entrou Richard Reinhardt, que logo adotou o nome Richie Ramone. Sua entrada deu ao quarteto uma postura mais Hardcore, com direito a tocar as músicas de forma acelerada nos shows, o que se tornou marca registrada e foi mantido após sua saída.
Outro obstáculo a ser superado aconteceu com Johnny Ramone. Ainda em 1983, o guitarrista se envolveu em uma briga de bar que lhe trouxe sérias consequências. Uma cirurgia de emergência no cérebro foi feita para salvar sua vida. Menos de um ano mais tarde ele estava recuperado e pronto para gravar. A situação inspirou Dee Dee a compor a música que daria título ao novo álbum, “Too Tough To Die” (duro demais para morrer). Aliás, este seria o primeiro disco em que o baixista assumiria os vocais principais, fazendo isso em duas faixas: as pesadas e curtas “Wart Hog” e “Endless Vacation”. Também marcou a única vez que a banda registrou um número instrumental, a hoje clássica “Durango 95”, com apenas 55 segundos simples e diretos.
Obviamente, nem tudo aprendido na fase anterior foi abandonado, o que fica claro com a presença de teclados e sintetizadores em diferentes momentos do play. Para não assustar quem pegou o trem andando, a canção escolhida como primeiro single foi “Howling At The Moon (Sha-La-La)”, conservando algumas características então recentes. Mas ela passa longe de figurar entre as melhores. Sons como “Mama’s Boy”, “Danger Zone” e “Humankind” mostram os Ramones com uma sede por Rock há tempos não observada. A versão expandida, lançada em 2002, ainda trazia muitos takes alternativos e versões demo, além de um cover para “Street Fighting Man”, dos Rolling Stones – afinal de contas, quem melhor que os pais do Punk para homenagear os avôs?
Too Tough To Die foi produzido por Tommy Ramone e Ed Stasium, algo que não acontecia desde Road To Ruin, em 1978. Ou seja, se alguém ainda tem dúvidas sobre a importância de trabalhar com as pessoas certas ao redor da banda, aqui está uma situação onde a boa influência é inquestionável. O álbum não fez sucesso, sendo até hoje a pior entrada dos Ramones na parada da Billboard, chegando apenas ao 71º lugar. Mesmo assim, crítica e adeptos mais ferrenhos aclamaram a “volta às raízes”. Como curiosidade, o fato de a capa ter saído de um problema na máquina do fotógrafo George DuBose, que gerou um choque com as luzes de fundo. A banda viu a imagem, achou legal o resultado e decidiu utilizar daquele jeito mesmo.
Joey Ramone (vocais)
Johnny Ramone (guitarra)
Dee Dee Ramone (baixo, vocais)
Richie Ramone (bateria)
01. Mama’s Boy
02. I’m Not Afraid Of Life
03. Too Tough To Die
04. Durango 95
05. Wart Hog
06. Danger Zone
07. Chasing The Night
08. Howling At The Moon (Sha-La-La)
09. Daytime Dilemma (Dangers Of Love)
10. Planet Earth 1988
11. Humankind
12. Endless Vacation
13. No Go




