
Vamos voltar ao velho assunto: quantas bandas você conhece que mantiveram o mesmo som, o mesmo estilo, por mais de duas décadas de carreira? Talvez seja mais fácil pensar naquelas que mudaram, mas pouco, e aí podemos citar alguns medalhões como AC/DC e os extintos Ramones. Fora isso, a lista de bandas que mudaram muito sua sonoridade ao longo dos anos é ampla. De Tiamat a Anathema. De Sepultura a Metallica. E o In Flames se encaixa nessa categoria.
Por isso, quando a banda lança um disco novo, muitos se queixam logo de cara por não parecer com aquela banda “das antigas”. Outros descobrem que, agora sim, gostam do som que o grupo faz. Então o primeiro ponto a esclarecer é que este In Flames de “Siren Charms” está bem distante daquele In Flames do death metal melódico, do som de Gotemburgo.
Depois da introdução longa, vamos ao que interessa: “Siren Charms” é um disco ruim ou bom? Só mesmo sua audição pode te responder isso. Logo de cara te aviso que se você gosta de metal alternativo e alguma coisa de nu metal – que já ficou velho, diga-se de passagem – aí é provável que te agrade. Fora isso, deixe passar e desfrute da benção da ignorância. Eu tive que ouvir.
“In Plain View” abre o disco com estranhos barulhos eletrônicos e um riff sujo e pesado com cara de anos 2000, mas excelentes guitarras limpas que surgem aqui e ali por toda a canção. Anders Fridén também mostra bastante versatilidade com os vocais nessa faixa. Já a música seguinte, “Everything’s Gone”, têm altos e baixos. Os vocais mais agressivos de Fridén agradam, mas as partes limpas parecem algo de Marilyn Manson. A música começa de forma brutal e tem um riff bem legal durante a primeira parte dos versos.
Em “Paralyzed” a banda aparece um tanto mais radiofônica, com bons riffs, mas pasteurizada demais, sem identidade. No mesmo esquema segue “Through Oblivion” um pouco mais interessante, mas uma das músicas mais suaves do disco.
“With Eyes Wide Open” é pop e isso não significa que seja ruim. Aí que tá o ponto, quando a banda assume de vez essa nova sonoridade o resultado é melhor do que quando é possível pincelar aqui ou ali alguma tendência de se transformar numa versão piorada de Korn. Se é que isso é possível!
O peso volta à tona com “When the World Explodes” e “Rusted Nail”, depois de uma sequência de faixas mais lentas.
“Siren Charms” tem boas ideias, principalmente graças às dobradinhas dos guitarristas Björn Gelotte e Niclas Engelin que permeiam o disco. Mas é um álbum para um novo público que o In Flames terá que encontrar.
01. In Plain View
02. Everything’s Gone
03. Paralyzed
04. Through Oblivion
05. With Eyes Wide Open
06. Siren Charms
07. When The World Explodes
08. Rusted Nail
09. Dead Eyes
10. Monsters In The Ballroom
11. Filtered Truth
Fonte: Território da Música



