Fonte: Jornal A Cidade

Na volta do Carnaval, nesta Quarta-feira de Cinzas (5), o folião que mora em Ribeirão Preto deve encontrar as ruas cheias de lixo: são cerca de duas mil toneladas, número equivalente a quase sete Boeings 777, aeronave com capacidade de transporte de 300 passageiros.
A situação se deve à paralisação dos 160 coletores da empresa Estre. O movimento começou na madruga de segunda para reivindicar aumento e melhores condições de trabalho.
Muito lixo
No Jardim Paulista, zona Leste, o proprietário de uma padaria já está com a calçada cheia de lixo. “O mau cheiro afasta os clientes. Visualmente prejudica, principalmente porque o nosso produto é alimento”, disse João Gilberto Faria.
No mesmo bairro, Arlene Ungaro, proprietária de uma banca de jornais e revistas, também conviveu com o cheiro ruim. “Além disso, a chuva leva os sacos que entopem os bueiros”, lembrou.
Na tarde desta terça-feria (4), porém, a Estre informou que conseguiu liminar na Justiça do Trabalho e garantiu que o serviço seria restabelecido. Até o fim da tarde desta terça, porém, o lixo continuava nas calçadas.
Reivindicações
Os coletores de lixo recebem R$ 880 por mês de salário e R$ 370 de vale refeição. O funcionário que não faltar [atestados não são considerados] durante o mês também recebe uma bonificação de R$ 300.
“Queremos aumento de R$ 300 no salário da carteira de trabalho. Reivindicamos a manutenção da bonificação, mas com a aceitação de atestado em casos de problemas de saúde. Pedimos também aumento de R$ 130 no vale-refeição”, explicou o coletor Wanderson Bibiano Santos, que liderava o movimento na manhã desta terça.
Outros temas que a categoria pretende colocar em debate são a segurança e o cumprimento da jornada de trabalho. “Não temos luvas corretas para fazer a coleta de lixo e por isso corremos o risco de machucar as mãos. Os caminhões também estão sucateados”, denuncia Santos.
“Também não conseguimos fazer a pausa de uma hora para descanso e refeição. Do modo como está, só temos hora para começar a trabalhar”, reclama o coletor.
“Por fim, queremos a garantia que as equipes de coletores só saiam para a rua com quatro pessoas. Hoje saímos em três ou dois”, finalizou Santos.
Coleta usa 35 caminhões
Os 160 funcionários da Estre que estão parados são responsáveis pela coleta de 35 caminhões de lixo por dia – equivalente a 1,2 mil toneladas. Durante o dia, são 18 caminhões em operação e a noite mais 17.
Como a paralisação começou entre domingo à noite e a manhã de segunda – alguns caminhões chegaram a circular na tarde de segunda, mas o serviço logo foi parado novamente – a greve dos coletores completou 48 horas.
Com isso, pelo menos duas mil toneladas de lixo se acumularam nas ruas de Ribeirão Preto. No final da tarde desta terça, por exemplo, duas montanhas de sacos se acumulava no cruzamento das ruas Tibiriçá e São Sebastião, e na rua Mariana Junqueira, em frente número 786, ambas no Centro.
“Todo mundo colocou os sacos achando que o caminhão passaria. Agora ficou a sujeira e o mau cheiro”, reclamou Luciana Araújo, que trabalha em um comércio próximo.
Andressa Pontes Ribeiro, moradora de um condomínio na rua Javari, na zona Norte, também teve problemas. “Já estamos com as lixeiras lotadas e não temos mais local para colocar os sacos”, disse.
Estre diz ter liminar para retomada
A Estre informou que “tentou entrar em acordo, mas os coletores se mantiveram intransigentes”. De acordo com a empresa, a saída foi Justiça do Trabalho.
“Diante do quadro, a Estre informa que obteve medida liminar, assegurando aos colaboradores o livre acesso as dependências da empresa”, informa.
“As providências devem ser tomadas de imediato, com força de mandado judicial, restabelecendo, assim, a normalização da coleta de lixo”.
Prefeitura cobra
Também em nota, a prefeitura disse que “está acompanhando o impasse”. “A administração está cobrando a normalização da coleta o mais rápido possível para que não haja prejuízo”, diz a nota.




