A entidade que representa as indústrias de calçados de Franca (SP), um dos principais polos produtores de sapato masculino no país, quer elaborar até o fim de abril um plano para legalizar a relação das fábricas com as bancas de pesponto, firmas terceirizadas responsáveis por etapas artesanais do processo de confecção do sapato que em muitos casos atuam na informalidade. De acordo com o Sindicato Sindicato das Indústrias de Calçado de Franca (Sindifranca) um Termo de Ajustamento de Conduta assinado com o Ministério Público já regula as relações, mas não é suficiente.
Evidência disso está nas divergências entre os dois setores, que representam 90% das causas trabalhistas tratadas pelo departamento jurídico do órgão. Com o objetivo de reduzir essa estatística, o presidente do Sindifranca, José Carlos Brigagão quer estabelecer parâmetros definitivos sobre cláusulas contratuais, pagamentos, direitos e deveres.
Além de garantir uma relação sem conflitos entre indústrias e bancas, o plano visa garantir a sobrevivência do setor calçadista em momentos de baixa no mercado. Para isso, será discutida a criação de um fundo monetário. “São alternativas. Estamos provocando os setores para que eles achem caminhos próprios.”
O modelo de gestão tem previsão de ser elaborado até 30 de abril, segundo Brigagão. Além da descrição dos procedimentos técnicos, o Sindifranca informou que oferecerá cursos de capacitação na área de gestão para pespontadores.
Bancas de pesponto
Donos de bancas de pesponto acreditam que o projeto do Sindifranca só será válido se ajudar a garantir a sobrevivência de seus negócios. “Manter pesponto custa caro e a maioria das firmas não faz o custo certo. As contas não fecham. É uma dificuldade muito grande para manter as contas em dia”, afirma a empresária Cristina Souza Pires, proprietária de uma prestadora de serviços para indústrias de calçados.
A dificuldade financeira fica acentuada quando o número de pedidos para as indústrias cai, segundo Milton Benedito dos Santos, que mantém uma banca há 20 anos. “A gente trabalha alguns meses do ano e em outro tempo não tem serviço”, diz.
Do G1 Ribeirão e Franca



