
O presidente do Sindicato da Indústria de Calçados de Franca (Sindifranca), José Carlos Brigagão, disse nesta quarta-feira (21) que fabricantes chineses de calçados estão montando seus produtos no Brasil para escapar das taxas de importação impostas pelo governo. Uma das consequências disso seria o aumento da participação do produto asiático de 25% para 37% no mercado brasileiro entre janeiro de 2011 e o mesmo período deste ano.
“Mandam o calçado desmontado. O cabedal, que é parte de cima, entra por um porto. O solado entra por outro. Essas partes vão se encontrar em um lugar onde vão ser montados. Aí, esse calçado é nacionalizado: recebe uma marca nacional”, explicou Brigadão.
“É uma concorrência desleal e que nós temos que continuar combatendo para não desaparecer uma história de 193 anos fabricando calçados”, disse em entrevista ao Jornal Regional.
Triangulação
Outra maneira que os chineses encontram de driblar medidas antidumping – criadas pelo Brasil para evitar que calçados com preços propositalmente desvalorizados entrem no país – é enviar os calçados por meio de outros países da região. A prática é conhecida como triangulação do calçado chinês.
Na terça-feira (20), organizações e indústrias ligadas à produção de calçado participam de uma audiência pública no Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, em Brasília, para discutir a extensão de medidas antidumping a países asiáticos que participam da triangulação.
O setor afirma que a taxação de US$ 13,85 mais os 30% sobre o valor total de cada par de calçado importado não deve ser aplicada apenas para produtos que chegam diretamente da China, mas também a entrepostos comerciais como Taiwan e Indonésia.
Fonte: G1 Ribeirão e Franca



