Considerado incomum, o câncer diagnosticado no governador Luiz Fernando Pezão, o linfoma não-Hodgkin, possui mais de 20 tipos diferentes. Segundo o Instituto Nacional do Câncer (Inca), o número de casos praticamente duplicou nos últimos 25 anos (particularmente entre pessoas acima de 60 anos) por razões ainda não esclarecidas. Pezão completa 61 anos no fim de março.
A doença ocorre no sistema linfático, que é uma rede de vasos e estruturas distribuído em todo o corpo e que compõe o sistema imunológico. É por isso que o linfoma pode ocorrer em qualquer parte do corpo. A presidente Dilma Rousseff, o ex-presidente do Paraguai, Fernando Lugo, e o ator Reynaldo Gianechinni são algumas das personalidades públicas que foram diagnosticadas com linfoma e, após tratamento, se curaram.
“O linfoma não-Hodgkin é uma doença incomum que se divide em dois tipos: o de baixo grau e o de alto grau. Os linfomas de alto grau têm uma natureza agressiva, mas costumam responder bem à terapia, ao contrário dos tipos de baixo grau. O tratamento pode envolver radioterapia, quimioterapia e até transplante de medula óssea”, explica o oncologista, Loureno Cezana.
O oncologista aponta que o linfoma não-Hodgkin não está relacionado a fatores ambientais, como cigarro e alimentação. “É meio que um acaso. Não tem uma medida específica para evitar a doença”, detalhou Cezana.
Já a Associação Brasileira de Linfoma e Leucemia (Abrale) lista alguns fatores de risco que podem contribuir para o aparecimento do tipo de linfoma, como o vírus HIV, a bactéria Helicobacter pylori (que leva a úlceras no estômago), o uso prolongado de drogas quimioterápicas e a exposição à radiação.
Os sintomas do linfoma não-Hodgkin são variados, entre eles está o aumento do número de inguas no corpo, suor noturno, febre, coceira na pele e perda de peso inexplicada.
Para diagnosticar o linfoma são necessários diversos exames, como os de imagem (para determinar a extensão da doença, quais órgãos e partes do corpo foram atingidos), além de biópsia (quando encontrados os gânglios, nódulos aumentados ou órgãos acometidos) e exames de sangue.
Quimioterapia
O governador Luiz Fernando Pezão, iniciou neste sábado (25) no Hospital Pró-Cardíaco, em Botafogo, na Zona Sul do Rio de Janeiro, onde está internado desde o dia 12. De acordo com o oncologista Daniel Tabak, que cuida do político, o tipo de câncer do governador é Tanaplásico de grandes células ALK positivo. O tipo é incomum e agressivo, mas potencialmente curável. O oncologista Loureno Cezana, acrescentou que apesar de alto grau, o tipo de câncer do governador tem até até 90% de cura em cinco anos.
O tratamento do governador deve incluir seis a oito sessões de quimioterapias. O tratamento não requer hospitalização e o governador deve receber alta na terça-feira (29), mas o tratamento pode durar até oito meses.
Por Marília Arrigoni – Edição:Edgard Matsuki – Portal EBC




