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Segmento de imóvel voltado à classe C tem crédito no Minha Casa, Minha Vida

28/09/2015
em Brasil
crédito no Minha Casa, Minha Vida

Mercado imobiliário sofre com crédito escasso, mas vive déficit habitacional

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Nem só de notícias ruins vive o mercado imobiliário e o programa habitacional Minha Casa, Minha Vida. Essa é a ideia central de um estudo que será divulgado nesta sexta-feira (25), na 15ª Conferência Internacional de Real Estate, na Escola Politécnica da Universidade de São Paulo. A autora, que adiantou o levantamento para o iG, mostra que duas modalidades (faixa 2 e 3) dentro do programa habitacional seguem competitivas.

Mercado imobiliário sofre com crédito escasso, mas vive déficit habitacional
Mercado imobiliário sofre com crédito escasso, mas vive déficit habitacional

“A principal peculiaridade do trabalho com público que pode comprar imóveis do faixa 2 e 3 do MCMV, cujo teto é de R$ 190 mil, é a necessidade de informá-lo de que há crédito e que possível adquirir um imóvel agora. O programa do governo federal é uma oportunidade única para esse fim”, explica Cecília Cavazani, autora do estudo “Estratégias para a Classe C: considerações sobre marketing e vendas para a nova classe média”.

Cecília além de pesquisadora é advogada e trabalha na construtora de sua família, a Cavazani Construtora, especializada em imóveis para a classe C que atua em Guarulhos, na Grande São Paulo. Ela afirma, no entanto, que dentro do cenário atual é preciso driblar o volume imenso de informações negativas e chegar até o cliente potencial, que se afasta do sonho de comprar a casa própria porque não sabe que há crédito direcionado e suficiente.

De acordo com a Fundação Getúlio Vargas, mais da metade da população brasileira hoje pertence à classe C. A renda mensal familiar desse estrato social varia entre R$ 1.064 e R$ 4.591, o que resulta em cerca de 108 milhões de pessoas.

Cecília explica que há crédito para essas duas modalidades porque os recursos não dependem de governo, são do FGTS. O faixa 2 é voltado para famílias com renda de até R$ 2.700, com taxas de juros de 6% ao ano. Já para as famílias com renda de até R$ 3.600, os juros são de 7% a.a..

Para os imóveis da faixa 3, famílias com até R$ 6.500 tem os juros anuais 8%. O teto por unidade é R$ 190 mil, mas deve ter atualizações para cima, segundo informou no dia 10 de setembro o Ministério das Cidades.

 “Vemos apenas notícias ruins sobre o programa do governo e a venda de imóveis. Mas tem duas modalidades do programa vendendo de forma satisfatória. Os nossos estoques estão em torno de 15% e estamos lançando um novo empreendimento com 500 unidades neste ano.”

Construtora voltada para a classe C usa loja em centro popular de Guarulhos para mostrar unidades que podem ser compradas dentro do Minha Casa, Minha Vida
Construtora voltada para a classe C usa loja em centro popular de Guarulhos para mostrar unidades que podem ser compradas dentro do Minha Casa, Minha Vida – Cavazani Construtora/Divulgação

Outro dado que Cecília destaca é a taxa de inadimplência no programa. “No faixa 1 [voltado para a baixa renda, com mais de 90% financiados pelo governo federal], a inadimplência é de 22%, enquanto nos fixa 2 e 3 é atualmente de 2%.”

Mas é importante destacar que o modelo de negócios da construtora de Cecília utiliza capital próprio e não depende de financiamento. “Crédito está bem escasso para empresas, usamos os próprios ganhos para reinvestir. O comprometimento com a liquidez é o que tem feito empresas quebrarem. As pequenas empresas de construção não deveriam ter de depender de crédito.”

Dados do Canal FGTS confirmam o que diz o estudo: até o dia 3 de setembro, R$ 33,8 bilhões do FGTS foram utilizados para financiar 351.697 unidades habitacionais populares no País. O número é superior aos R$ 30,2 bilhões em empréstimos para construção, com esses recursos, de 320.185 unidades em todo o ano de 2014. “Falta crédito para o faixa 1, cujos recursos são do caixa do governo”, detalha Cecília.

O FGTS fechou 2014 com um volume de ativos que totalizaram R$ 410,4 bilhões, além de patrimônio líquido que alcançou R$ 77,5 bilhões. A contratação de subsídios chegou a R$ 7,89 bilhões, sendo a maior parte destinada aos trabalhadores com conta vinculada.

Estratégias de marketing para a classe C têm de aproximar do cliente e evitar luxos

Segundo estudo, como as margens do empreendimentos para a classe C são muito justas, para manter os custos dentro do valor do imóvel, do terreno, dos insumos, as estratégias de marketing não podem ser luxuosas como a das outras faixas de preço.

“Precisamos focar em mostrar as notícias boas para nosso público sobre como comprar, como obter crédito. Além disso, precisamos gerar o sentimento de pertencimento. Por exemplo, no apartamento que temos em exposição na nossa central de vendas eu não tenho uma TV curva porque a classe C não é o público para ela.”

Outras armas da propaganda para esse tipo de empreendimento, explica Cecília, é a utilização de transmissão de informações via dispositivos móveis como smartphones e tablets e site responsivos e contato online pelas rede sociais.

“Temos uma loja da construtora, que funciona como uma central de vendas no bairro de Bomsucesso. Lá, nossos clientes podem ver como são as unidades. O segmento econômico não consegue ter um decorado – a não ser que seja uma grande empresa, como a MRV, Rossi, que têm grandes orçamentos para investir nas vendas – por isso, usamos a loja como um centro popular, onde temos unidades ilustrativas, com 45 metros quadrados, o layout da planta, a sacadinha. A classe C é o melhor público atualmente e há crédito dentro do MCMV para essa faixa de renda”, detalha Cecília.

Por Maíra Teixeira – iG São Paulo

Tags: classe CfinanciamentoImóveis

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